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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE LANÇA XVIII CONGRESSO EUCARÍSTICO NACIONAL DIA 12/11




Dom Fernando Saburido presidindo
a procissão de Corpus Christi em Olinda
(maio 2018)
A Arquidiocese de Olinda e Recife prepara-se com grande expectativa para um memorável acontecimento que se aproxima: o Recife sediará no ano de 2020 o XVIII Congresso Eucarístico Nacional. Enfocando o tema “Pão em todas as mesas”, o Congresso ocorrerá no período de 12 a 15 de novembro de 2020. Faltam dois anos para o evento acontecer e precisamente na data de 12/11/18, às 19h, a Arquidiocese vai lançar oficialmente o Congresso Eucarístico Nacional, com uma solenidade na igreja do Coração Eucarístico de Jesus, no Espinheiro, Recife. A programação do lançamento do Congresso inclui a celebração da Santa Missa, presidida pelo arcebispo, dom Fernando Saburido e a apresentação e o lançamento do hino, da oração e da logomarca do Congresso Eucarístico Nacional. O hino foi criado pelo padre Josenildo Nunes, da diocese de Afogados da Ingazeira e a logomarca do Congresso foi criada pelas Pias Discípulas do Divino Mestre. A oração oficial foi elaborada pela comissão de Liturgia da Arquidiocese e consiste em instrumento de intercessão pelo êxito do Congresso, a ser rezada durante os dois anos que antecedem o evento.

I
A igreja do Espinheiro foi construída como
 legado do Congresso Eucarístico de 1939,
 realizado no Recife
A igreja matriz do Espinheiro foi escolhida para acolher a celebração de lançamento da marca por tratar-se do legado, do gesto concreto, deixado pelo Congresso Eucarístico Nacional realizado no Recife em 1939. Naquela época, o atual Parque Treze de Maio, na Boa Vista, foi construído para receber bispos, sacerdotes e fiéis de todo o Brasil. O secretário geral do XVIII Congresso Eucarístico Nacional, Monsenhor José Albérico Bezerra, adianta que foram agendadas solenidades na data de 12 de novembro nos anos de 2018 e 2019 para justamente reforçar na memória dos fiéis a data da realização do evento. Em 2018, acontece o lançamento oficial do Congresso Eucarístico Nacional e para 2019 está previsto o lançamento do texto-base do Congresso. Conforme detalha o secretário geral, os três dias do evento serão de intensa atividade religiosa e litúrgica: abertura do Congresso na Arena de Pernambuco, realização de Primeira Comunhão Eucarística para crianças e adolescentes de todos os colégios e paróquias (Arena PE),  celebrações eucarísticas simultâneas presididas por bispos e arcebispos em todas as paróquias, basílicas e santuários no território da Arquidiocese, Simpósios, exposição e feiras (Centro de Convenções de Pernambuco) e encerramento na Praça do Marco Zero. O Congresso Eucarístico Nacional é realizado, em geral, a cada quatro anos, sendo escolhida a sede em votação na Assembleia Geral da CNBB.

O arcebispo de Olinda e Recife, dom Antônio Fernando Saburido, que preside o  Regional Nordeste 2 da CNBB, ressalta que a preparação para o evento envolve as dioceses e arquidioceses de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Dom Fernando lembra também que o Núncio Apostólico, dom Giovani D’Aniello comparecerá ao Congresso Eucarístico Nacional e que espera a adesão de sacerdotes de todo o Brasil. Segundo dom Fernando, o Papa Francisco deve nomear um “legado pontifício”, um cardeal ou um bispo, para representar o Sumo Pontífice quando da realização do Congresso. A escolha do tema do Congresso – “Pão em todas as mesas”- foi motivada pelo contraste social vivenciado no Nordeste e em especial, no Recife. O lema do Congresso é “Repartiam o pão com alegria e não havia necessitados entre eles”.

Dom Helder Camara foi arcebispo de Olinda e
Recife por 21 anos (de 1964 até 1985)
Boas notícias – Dom Fernando informa ainda que na próxima segunda-feira (12/11/18), será celebrada a missa em ação de graças pela conclusão dos trabalhos do Tribunal Eclesiástico no processo de beatificação de dom Helder Camara, a parte da escuta das testemunhas. Na ocasião, o arcebispo metropolitano anunciará a data da sessão de encerramento do processo de beatificação de dom Helder Camara no âmbito da Arquidiocese. Com esta sessão de encerramento, é finalizada a chamada “fase diocesana” do processo de beatificação e a documentação do processo deve ser lacrada e remetida ao Vaticano, para a Congregação para as Causas dos Santos, para ter início a “fase romana” do processo. A Congregação para as Causas dos Santos analisa e estuda com cuidado especial cada candidato ao altar. Entre suas funções, está a emissão dos decretos que aprovam o martírio, as virtudes heroicas e os milagres dos Servos de Deus para serem declarados beatos ou santos.

SERVIÇO

O Que: Lançamento oficial do XVIII Congresso Eucarístico Nacional
Data: 12/11/18 
Hora: 19h
Local: Igreja do Coração Eucarístico de Jesus (matriz do Espinheiro).
Endereço: Rua Conselheiro Portela, s/n, Espinheiro, Recife
Presidente da celebração Eucarística: Dom Fernando Saburido

Fonte: Portal da Arquidiocese de Olinda e Recife : https://www.arquidioceseolindarecife.org/2018/11/arquidiocese-de-olinda-e-recife-lanca-xviii-congresso-eucaristico-nacional-dia-1211/

sábado, 10 de novembro de 2018

HOMENAGEM: CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE PADRE ARNALDO CABRAL

Há cem anos, no dia 10 de novembro de 1918, nascia um pastor que, por 76 anos, dedicaria sua vida a cuidar de suas ovelhas, 45 anos dos quais dedicou à paróquia do Espinheiro.

Estamos falando do cônego Arnaldo Cabral, ordenado padre em 28 de novembro de 1943 pelo então arcebispo de Olinda e Recife dom Miguel Valverde. Entre as várias funções que assumiu após a sua ordenação foi secretário do arcebispo, professor no Seminário de Olinda, capelão do Carmelo, vice-reitor e diretor espiritual do Seminário, capelão da Sé e do Hospital Militar. Na década de 1960 foi professor do Colégio Marista e diretor espiritual do Seminário Regional São Carlos Borromeu. Durante o arcebispado de Dom Helder Camara foi vigário da Arfquidiocese.

O Cônego Arnaldo Cabral partiu para a Casa do Pai aos 99 anos, no dia 13 de maio de 2017.

Para prestar uma justa homenagem a esse a quem podemos, sem sombra de dúvida, chamar de Bom Pastor, nada melhor do que as palavras de seu grande amigo Assuero Gomes, pois quem, se não os amigos, conhecem melhor a alma um do outro?


ARNALDO E PAULO





Há dez anos exatamente, dez anos! Escrevi este artigo ao meu amigo e mestre. Hoje, se do tempo ainda dependesse, faria cem.

As palavras que se seguem permanecem atuais, pois no atemporal da eternidade ele mora conosco na lembrança.


Não é apenas porque muitas vezes apenas o médico, dileto amigo, se encontra junto a eles, nem porque um completa 90 anos e o outro 2000. Poderia chamar à semelhança o incansável trabalho na divulgação da Palavra do Cristo e a formação de comunidades, sementes da Igreja maior, única, de diversas matizes e cores, de denominações e confissões variadas, mas que mantém sua unidade na fidelidade do ensinamento, e não na roupagem das culturas nas quais estão inseridas.

Não seria também apenas porque a instituição de certa maneira colocou a ambos num ostracismo sutil, pois nenhum dos dois se envergou ante o peso do hierarca. Não será também porque a história fará justiça ao mais novo, como já fez ao mais antigo.

Nas diferenças entre ambos se encontram suas semelhanças também; se o mais novo é exímio pregador com homilias profundas e arrebatadoras o outro é veemente na palavra escrita.

Refuto como característica intrínseca que os une aqui e na eternidade a coerência na pregação com o testemunho pessoal e a altivez com que exercem seu ofício de semear a Palavra, chegando ao ponto do segundo afirmar que se um anjo em pessoa descesse do céu e ensinasse uma doutrina diferente daquela que ele ensina, seria mentira.

Os dois amigos poderiam ganhar seu sustento da atividade missionária, pois seria justo, mas nenhum deles assim o faz. Paulo, cidadão do mundo, ganha o pão de cada dia construindo tendas com as próprias mãos e Arnaldo, embora bem aquinhoado de berço, dedicou-se também ao ensino, construindo tendas do saber.

Quanto à conversão numa primeira vista são totalmente divergentes. Enquanto Arnaldo foi levado de maneira suave ainda criança e por si mesmo a se iniciar e persistir no caminho da vida dedicada ao Caminho, Paulo por sua vez teve um encontro com o Ressuscitado de maneira abrupta, impetuosa, quase violenta.

Ambos contam com uma legião de admiradores formados nas pessoas que ouviram ou leram suas palavras, ambos têm poucos amigos na proporcionalidade da influência de suas vidas, pois são poucos os que se aventuram a uma convivência mais próxima, talvez pela aura que cerca os formadores, talvez pela sinceridade de seus conceitos e suas palavras.
Nas devidas proporções ninguém poderia pensar Igreja no mundo sem vê-la através dos olhos de Paulo, assim como ninguém poderia pensar Igreja em Pernambuco sem os olhos de Arnaldo.

Assisto ao amigo nonagenário, assim como Lucas assistia a Paulo (na infinita desproporção entre os dois médicos), com admiração e respeito, e no alto destes 90 anos vividos na coerência e na fidelidade a Jesus, cada vez mais lúcido como um bom vinho que apura o sabor e sua capacidade de alegrar a vida da comunidade, e como um raro perfume que com o passar do tempo vai fixando suas qualidades e vai se tornando único, perfumando seu batismo com o sacramento da ordem (sacerdócio) que completa neste mês 65 anos.
A Igreja pode se alegrar na comemoração dos aniversários destes dois gigantes.

Comunidade do Espinheiro, o seu querido Seminário de Olinda, bispos e arcebispos, padres, seminaristas alunos seus, centenas e centenas de ex-alunos, familiares, recifenses, olindenses, povo de Escada, rejubilem-se, pois lhes foi dado a graça nesta terra de Olinda e Recife de se comemorar a Vida de um patriarca.

Assuero Gomes
Médico e Escritor

Dom Helder e Pe. Arnaldo celebrando juntos a da Missa de Ano
Novo na Matriz do Espinheiro, 31 de dezembro de 1995.

CELEBRAÇÃO DOS 90 ANOS DE PADRE ARNALDO





CELEBRAÇÃO DOS 90 ANOS DE PADRE ARNALDO

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

UM OLHAR SOBRE A CIDADE: A MATEMÁTICA DA VIDA




Segunda-feira, 10.1.1977

Meus queridos amigos

Nem todo mundo pôde aprender na escola a fazer contas de somar, de diminuir, de multiplicar, de dividir... Nem mesmo quem não aprendeu as contas, só tem a ganhar em aprender, na escola da vida, a diminuir e dividir. Há criaturas que não somam nem multiplicam.

Ficam isoladas e sós. Há quem só entenda somar, quando se trata de aumentar o que é seu. Nada de somar para os outros. Nada de diminuir o que é seu.

Multiplicar! Quando todos aprenderemos a multiplicar, pensando em todos? Multiplicar o que é seu, não há quem não queira.

Pensar nos outros na hora de multiplicar, não.

Dividir, conforme seja, é verbo divino ou diabólico. Dividir, com um irmão faminto, o pão que eu estou comendo, é divino. Dividir, não apenas o que sobra, não apenas aquilo de que não dou conta, dividir, partindo da convicção de que todos somos irmãos, é inspiração divina.

Não falta quem diga que não é possível pensar em dividir o bolo antes de prepará-lo. Mas o terrível é que estão preparando o bolo e comendo. Não dividir, guardar só para si e para o pequeno grupo de seus, fechar as mãos, fechar o coração, é pecado feio e triste. Dividir é diabólico quando se trata de separar, desunir, intrigar...

A hora é de somar, sobretudo nas comunidades pobres, onde cada um, sozinho, não pesa nada, não conta nada, não vale nada.

Unidos para o bem, unidos para enfrentar juntos e de modo construtivo os problemas da comunidade, somando-se, são uma força que Deus abençoa.

Ninguém repita o pensamento pagão embebido de egoísmo: cada um por si e Deus por todos. Cada um somando-se com todos, aí sim, mas só aí, Deus estará presente e ajudará. Se é hora de diminuir, não se venha diminuir de quem já está mais do que diminuído, de quem já não tem mais o que diminuir, sem maiores abalos.

Desenvolvimento é hora de multiplicar. Mas a melhor definição de desenvolvimento ainda é a que exige o desenvolvimento do homem todo e de todos os homens. Não vale multiplicar riqueza de quem é rico, multiplicando a pobreza de quem é pobre.

Se todos dividíssemos entre nós a responsabilidade de sermos filhos de Deus e irmãos uns dos outros, o mundo mudaria de rumo.

Que a escola da vida nos ensine a somar, a diminuir, a multiplicar  e a dividir!

terça-feira, 6 de novembro de 2018

CARTAS PÓS-CONCILIARES - 337ª Circular - 464ª Circular




Recife, 23/24.12.67

VIGÍLIA DE NATAL

A querida Família Mecejanense

Ontem, tive uma inesperada e original preparação para a Grande Noite: indo ao Canal 2, tomar parte num programa, encontrei, nos bastidores, os dois Chicos: o Anysio e o Buarque. Era a primeira vez que eu encontrava, em pessoa, o Chico.

Tive a feliz inspiração de ficar para ouvi-lo. Valeu por uma Vigília de prece. “Roda Viva” é meditação profunda sobre o destino (claro que o entendo como força misteriosa e invencível, mas a serviço dos planos de Deus). “Carolina” tem o dom de comover-me, profundamente. Quantas vezes, a gente faz tudo para tentar que ela veja!... Nascem rosas lindas, surgem estrelas, nascem mundos e Carolina não vê...

De Chico, não se perde uma. Dependesse de mim e quando os líderes da atual classe dirigente (políticos ou empresários) fossem dormir, irromperia, no quarto, “Pedro pedreiro”. Quando fossem acordando, outra dose de “esperando, esperando, esperando...”.

Quem te viu, quem te vê é tão humana e tão real! Não posso mais ver turista sem que me venha a música do Chico.

Aflige-me a insistência com que se canta que tudo é permitido no Carnaval e que, passados os três dias, o que passou, passou...

Pedi tanto pelos jovens, ouvindo o Chico. Ele disse, de público, que estava perturbado por ver, no Auditório, o Dom, de quem se proclamou fã incondicional. Pedi tanto pela nossa música que vive momento tão alto!

Pedi, especialmente, pelo Chico. Dizem-me que ele anda bebendo demais.
Vai ver que se ele não sofresse e não bebesse, “Roda viva” não rodava...[fl. 2]
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Após-Concílio

Recife, 27/28.12.68

Enquanto a Vigília prossegue – e eu canto o Ofício dos Santos Mártires Inocentes, dentro do espírito de Natal – tenho diante de mim, um lindo Presépio de madeira e a mais bela árvore de Natal de quantas eu vi... Uma árvore cheia de corrupios (ventarolas? rosas do vento?). A janela está aberta e os corrupios rodam. A árvore se chama Roda viva, porque os corrupios, rodando, dão a impressão de cantar a obra-prima do Chico [Buarque].