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sexta-feira, 25 de maio de 2018

RECIFE GANHA UM NOVO CIDADÃO


Quarta-feira, dia 23 de maio, foi dia de festa na Câmara Municipal do Recife. O Pe. Rinaldo Pereira dos Santos, natural de Caruaru foi agraciado com o mais que merecido título de Cidadão Recifense. A autoria do projeto para entrega do título foi do vereador Aerton Luna.

A cerimônia transcorreu em clima de muita alegria e animação. Já na abertura o Pe. Rinaldo foi recebido pelo Maracatu Nação Porto Rico, do bairro do Pina.



No plenário da Câmara a animação ficou por conta sanfoneiro Dudu do Acordeom e do violinista professor José Carlos, do instituto Dom da Paz.


Era visível a emoção de Pe. Rinaldo com a homenagem e também com a presença de seus pais, familiares, jornalistas, paroquianos e amigos.



Foi também uma grande alegria para o IDHeC – Instituto Dom Helder Camara ver o um de seus conselheiros receber tamanha homenagem. A mesa,, presidida pelo vereador Eduardo Marques, foi composta pelo homenageado, pelo vereador propositor, pelo representante da comunidade do Pilar, Aluísio Alves do Santos, Teresinha Nunes, Teresa Duere, conselheira do Tribunal de Contas do Estado e presidente do Conselho Curador do IDHeC, monsenhor Luciano Brito, vigário geral da Arquidiocese de Olinda e Recife e pelo frei Tiago Santos, representante da província Capuchinha do Nordeste.


O IDHeC foi representado por seus diretores: Antônio Carlos Aguiar, diretor executivo; Edelomar Barbosa, diretor tesoureiro; Normândia Medeiros, diretora secretária; Lucinha Cavalcanti Costa, diretora de Memória e Christina Ribeiro, diretora de Patrimônio. A conselheira Elizabeth Barbosa também esteve presente. O Pe. José Augusto, pároco de São José e Capelão das Fronteiras, também esteve presente, prestigiando o amigo.


Pe. Rinaldo, que é caruaruense, tem uma atuação muito forte na Arquidiocese de Olinda e Recife. Ele é moderador da Cúria, diretor do Museu de Arte Sacra de Pernambuco, presidente da Comissão de Cultura e da Comissão de Intervenção das Irmandades. 

Uma coisa que poucos sabem a respeito do Pe. Rinaldo é que ele é formado em odontologia, desde 1994. Em 2002 passou a trabalhar na Ordem. Montou um consultório na sacristia da paróquia do Pina e atendia moradores carentes. Em 2011 iniciou sua experiência pastoral na Arquidiocese de Olinda e Recife como administrador da paróquia São Paulo Apóstolo, em Jardim São Paulo. Em 2016, o padre Rinaldo foi nomeado pároco da igreja Madre Deus e partir dali, desenvolveu um trabalho na comunidade do Pilar, proporcionando serviços sociais de saúde, educação e lazer para mais de duzentas famílias.


Em seu discurso o Pe. Rinaldo disse que seu nome foi uma homenagem a um jogador de futebol do Clube Náutico Capibaribe. Disse que depois que passou a ser diocesano as pessoas sempre ficam em dúvida quanto a maneira de chama-lo: padre ou frei? A quem, bem humorado, ele responde: “com a licença do ministro provincial, como você achar melhor, só mudei a embalagem, isto é, do hábito marrom, para a batina preta”.


E, encerrando o seu discurso, citou e cantou os versos do famoso Frevo nº 3, de Antônio Maria: “Sou do Recife com orgulho e com saudade / Sou do Recife com vontade de chorar / O rio passa levando barcaça pro alto mar / E em mim não passa essa vontade de voltar / Recife mandou me chamar / Capiba e Zumba a essa hora onde é que estão / Inês e Rosa em que reinado reinarão / Ascenso me mande um cartão / Rua antiga da Harmonia / Da Amizade, da Saudade, da União / São lembranças noite e dia / Nelson Ferreira toque aquela introdução”.

Recife está de parabéns por seu mais novo cidadão.

terça-feira, 22 de maio de 2018

IDHeC REALIZA A PRIMEIRA ASSEMBLEIA DO ANO



Na última quarta-feira, 16 de maio, o IDHeC – Instituto Dom Helder Camara, realizou a sua primeira Assembleia do ano, reunindo diretores, conselheiros e associados.

Na pauta estava a apresentação da prestação de contas das atividades do IDHeC em suas diversas áreas tais como o CEDOHC – Centro de Documentação Dom Helder Camara, o Memorial – Igreja das Fronteiras, Casa Museu, Exposição Permanente e Espaço Dom Lamartine – setor Financeiro, Comunicação e Casa de Frei Francisco.


Além da apresentação da prestação de contas o IDHeC também apresentou algumas novidades entre a sua diretoria executiva.  Foi criada uma nova diretoria, Diretoria da Memória, que foi assumida por Lucinha Cavalcanti Costa e estará ligada diretamente à preservação do acervo do Instituto. Normândia Medeiros assumiu como diretora secretária e o Prof. Manoel Moraes é o novo diretor Cultural.


Edelomar Barbosa permanece como diretor Tesoureiro, Christina Ribeiro como diretora de Patrimônio e Antônio Carlos Aguiar como diretor executivo.
Damos as boas vindas ao Prof. Manoel Moraes. Temos a certeza de que ele realizará um excelente trabalho junto à diretoria Cultural. A Lucinha Moreira e Normândia Medeiros desejamos pleno êxito em suas novas funções que, com certeza, serão exercidas com muito carinho e competência.

Ao final da Assembleia foram comemorados os aniversários da conselheira Bete Barbosa e da diretora secretária Normândia Medeiros.





quinta-feira, 17 de maio de 2018

UM OLHAR SOBRE A CIDADE: FALAR, OUVIR E AGIR



Sexta-feira, 19.11.1976

Meus queridos amigos

Ouve mais do que fala — tens dois ouvidos e uma boca... Age mais do que fala — tens uma boca e duas mãos... É tão fácil falar e tão difícil escutar! Há pessoas então que quando disparam, quando a língua se solta, têm dificuldade séria de encontrar um paradeiro. Dizer palavras bonitas, anunciar grandes princípios, ditar teoria, tudo isso é tão simples! Escutar, de verdade, é difícil. É fácil fazer de conta que se escuta. Deixar falar. Lá no íntimo, quase sempre, há decisões tomadas. A escuta é mais um faz de conta, uma satisfação prestada aos nossos tempos de diálogo... Deus bem que nos avisa dando-nos dois ouvidos e uma só boca. O mesmo acontece nos domínios da ação. Deus nos dá uma boca e duas mãos. Uma boca? Há momentos em que damos a impressão de possuir umas dez bocas. O povo comenta que há quem fale pelos cotovelos... mas passar da teoria à ação é distância larga. E isto é tão sério! Não me canso e não me cansarei de alertar nossos irmãos católicos e nossos irmãos evangélicos. Nós cristãos temos tido reuniões importantíssimas. Firmamos documentos espetaculares. Chegamos a conclusões maravilhosas... Na hora de usar as duas mãos que Deus nos deu, na hora de aplicar nossa bela teoria, cadê disposição, cadê coragem? E quando alguns cristãos se decidem a viver o que foi estudado e aprovado por nossa Igreja, sem dúvida encontramos problemas por parte de autoridades que nos interpretam mal. Mas, as primeiras freadas partem muitas vezes de dentro da nossa própria Igreja.

Quando nos convenceremos de que é urgente que o povo sinta a decisão da Igreja de ficar com ele na hora da defesa pacífica de seus direitos? Quando nos convenceremos de que ninguém segurará os jovens, pois eles partirão para a violência armada e para os mais terríveis radicalismos se só encontrarem uma não violência covarde, medrosa, com cem bocas, mas sem mãos? O ideal é continuar na vida com ação e reflexão. Pensar, pensar, pensar, descansar para tornar a pensar, sem sair do pensamento, vale muito pouco. Também agir sem pensar é leviandade, é expor-se a erros funestos e a cabeçadas lamentáveis. Pensar e procurar viver os pensamentos. Agir e procurar rever o pensamento, de acordo com as lições que a realidade apresenta a quem usa as duas mãos. Fazer com que, de modo constante, ação e reflexão se enriqueçam mutuamente, eis o que nos ensina a vida! Dois ouvidos e uma boca. Uma boca e duas mãos. Mas conduzindo boca e ouvidos, mãos e boca, temos cabeça e corações que Deus nos deu.

UM OLHAR SOBRE A CIDADE : OS BÊBADOS


Terça-feira, 11.3.1975

Meus queridos amigos

Ontem, encontrei um bêbado. Um homem já de meia idade, casado, com filhos... O que estaria ele procurando esquecer? Não consigo rir dos bêbados por mais ridículos que eles se tornem. Tenho paciência com os bêbados irritantes, valentões, provocadores... A experiência ensina que quando a criatura mergulha no álcool está querendo afogar alguma tristeza grande ou fugir de alguma situação sem saída... Mas já repararam que a embriaguez do álcool ou das drogas não é a maior embriaguez? 

Há quem se embriague com a glória. A criatura começa a triunfar, a ser aplaudida. Se acreditar nos louvores e pensar em subir sempre mais, estará cedendo a uma embriaguez perigosa. O poder também embriaga. Trabalhador que chegou a feitor.  Mas a tentação de mandar e desmandar rebenta sem nem se saber como às vezes se torna o pavor dos antigos companheiros. Já viram como é fácil um guarda de trânsito, com apito na boca, imaginar que todos estão ali submissos a ele e presos às suas ordens? Como é difícil um policial andar armado e conservar equilíbrio e serenidade! Há grandes policiais: cumpridores do dever, obedientes à lei, humanos... mas a tentação de mandar e desmandar rebenta sem nem se saber como, nem porque... Quanto mais alto é o poder mais grave pode ser a embriaguez... Já viram criaturas embriagadas pelo trabalho? 

Em pesquisadores acontece a duas por três. Tenho visto homens tão empolgados com o que estão fazendo que esquecem tudo: não pensam em comer, nem descansar, nem em ir para casa, onde esposa e filhos os esperam.

O sofrimento, quando é grande demais, deixa bêbado... E tanto embriaga o sofrimento físico — e nos hospitais, tantas vezes vemos bêbados de dor — como o sofrimento moral. Com um enorme respeito devo ainda recordar os que se tornam bêbados da mais sagrada embriaguez: há quem se embriague e tonteie, e delire com o excesso de graças e de luzes recebidas... 

Em Pentecostes, quando os apóstolos ficaram tomados pelo Espírito Santo, que descera a cada um deles sob a imagem de uma chama; em Pentecostes, quando se deu o dom das línguas, e os apóstolos falavam a língua materna, e cada um os escutavam e entendiam na sua própria língua, não faltou quem julgasse que Pedro e seus companheiros estavam bêbados... 

E estavam mesmo! Respeitem os bêbados! Os que se afogam na bebida, em geral, estão curtindo grandes sofrimentos! Os bêbados de glória, de ambição, de poder, não merecem desprezo — nunca se deve desprezar ninguém! Merecem preces para que evitem o ridículo, injustiças, arbitrariedades que, a frio, não seriam capazes de cometer... Os bêbados de trabalho afligem! Os bêbados de sofrimento comovem... Espetáculo inesquecível é encontrar, um dia, no caminho, uma criatura bêbada de Deus!