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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

UM OLHAR SOBRE A CIDADE: SEM MEDO DO BICHO-PAPÃO




Terça-feira, 11.1.1977

Meus queridos amigos


 Um amigo perguntou-me se eu não exagero na linha da esperança. E quis saber se, de verdade, eu descubro saída e saída pacífica para a entalada em que se acha o mundo. E comentou a sabedoria popular do dito tão conhecido: “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. 

Deus me livre de negar que está difícil, aparentemente sem saída, a situação do povo. Hoje, alguém ter a coragem de se apresentar como tendo a solução, como tendo as soluções, é ridículo: nós todos estamos tateando nas sombras. 

Mas vamos ver de perto o que todos nós repetimos em certas situações sem saída: “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Bicho! Que bicho é esse? Até quando seremos tão crianças a ponto de ter medo do Bicho-Papão? 

Até quando vamos ter medo do Lobisomem? Muita gente se prejudica ainda mais na vida devido ao medo. Sei que se pode dizer que é fácil quem tem dinheiro e é forte e poderoso não ter medo. 

Como pode deixar de ter medo quem não tem onde cair morto e não tem como se mover vivo? Ah! Se os pequenos conhecessem quanta lei existe capaz de defendê-los! Bem sei que os pessimistas, com olhos de carvão, vendo tudo escuro, logo dirão que lei só é aplicada quando favorece os grandes, e é como se não existissem quando favorecem os pequenos. 

Quando os pequenos se juntam dentro da lei, para defender, sem violência, os direitos que a lei garante, os pequenos se tornam grandes. De primeiro, o grande cuidado da Igreja era acudir os necessitados: levar comida, roupa e remédios aos pobres. Claro que sempre haverá o cuidado, dentro do possível, de socorrer irmãos nossos, 98 filhos de Deus, doentes, nus, famintos... Mas o cuidado número um da Igreja, em nossos dias, é lembrar ao povo que povo é gente, não é bicho, não é objeto, não é número. 

É gente. E tem cabeça para pensar e vontade para querer e boca para falar. A grande caridade hoje consiste em ajudar a fazer justiça. O grande cuidado da Igreja é criar nos pequenos a confiança no direito. Não deixar que o povo se embriague com apelo à violência. 

O grande trabalho da Igreja é ensinar aos pequenos as leis que os protegem e provar que o povo unido, dentro da lei, tem o apoio do governo, que existe para defender o direito. Se correr o bicho pega? A gente não tem medo do bicho. Se parar o bicho come? O povo tem direitos. Cada um sozinho não vale nada. O povo unido, dentro da lei, desafia qualquer Lobisomem, qualquer Bicho-Papão.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

TAMBÉM EM 2018 DOM HELDER É HOMENAGEADO NO JANEIRO DOS DE GRANDES ESPETÁCULOS



Em 2017 a Companhia do Tijolo trouxe para o Recife a peça O AVESSO DO CLAUSTRO, que se apresentou no último final de semana do 23º Janeiro de Grandes Espetáculos.

E para 2018 outra homenagem a Dom Helder será encenada, nessa quarta 17 e quinta 18: "Pro(fé)ta - O bispo do povo". As duas apresentações acontecerão no teatro Arraial Ariano Suassuna, ás 19h.

Foto Rogério Alves - Folha de Pernambuco.

A peça é fruto de um projeto Trilogia Vermelha iniciado em 2014 pelo Coletivo Grão Comum e a Gota Serena Produções. A proposta do projeto é contar através do teatro a vida de três nordestinos que marcaram a história do país: Glauber Rocha, Paulo Freire e Dom Helder Camara.

A peça é dividida em 17 cenas que, ainda que Dom Helder não esteja presente em todos os momentos da peça, surge, aqui e ali, permeando os assuntos que vão se desencadeando, como por opressão, Jesus Cristo, o papel da igreja no mundo e ou terror da ditadura, como mostra o prólogo que encena o velório de Pe. Henrique, assessor de Dom Helder, assassinado durante a ditadura militar. Esse momento é feito de uma maneira inovadora e nada convencional, já que a peça não se inicia dentro do teatro e sim no monumento Tortura Nunca Mais, onde o público é recebido pelo elenco, de onde saem juntos em um cortejo fúnebre, rumo ao teatro, recriando aquele momento.

Em um outro momento, dando asas à criatividade, é representado um encontro imaginário entre Dom Helder, Glauber Rocha e Paulo Freire, representados pelos atores  Júnior Aguiar, Daniel Barros e Marcio Fecher.

Foto Jornal do COmmercio

Júnior, que também é dramaturgo, acha que é importante mostrar que existe uma conexão entre os três. Eles não foram escolhidos para o projeto aleatoriamente.  Foram escolhidos porque mostraram ao país que o povo nordestino é muito importante para o desenvolvimento do país e não um atraso, como alguns querem que seja.

Tomara que vire um agradável hábito e que, todos os anos, o Janeiro de Grandes Espetáculos tenha uma peça homenageando o grande profeta.

Serviço

Espetáculo "Pro(fé)ta - O bispo do povo"
Quando: 17 e 18, às 19h
Onde: Teatro Arraial Ariano Suassuna (Rua da Aurora, 457, Boa Vista)
Quanto: R$ 40 e R$ 20 (meia-entrada)






quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

UM OLHAR SOBRE A CIDADE: CADA PESSOA É ÚNICA




 Quarta-feira, 12.6.1974

 Meus queridos amigos

 Já repararam que não há duas pessoas iguais? Mesmo quem tem vários filhos, acaba descobrindo que cada um é único... E é preciso respeitar cada um, como é: o que não quer dizer que, com inteligência e habilidade, não se procure ajudar o irmão. Permitam que eu apresente, hoje, dois poemas de Cecília Meireles. O primeiro canta uma criatura de valor, mas meio fechada, parecendo orgulhosa, quando na verdade é diferente, não é compreendida e se sente só:

 LINHA RETA

 “Não tenteis interromper O pássaro que voa em linha reta De Leste a Oeste. Alto e só. Não lhe pergunteis Se avista cidades, mares, pessoas Ou se tudo é um liso deserto, Vasto e só. Ele não passa para contemplar essas coisas do mundo. Ele vem de Leste, ele vai para o Oeste. Alto e só. Ele vai com sua música dentro dos olhos fechados. Quando chegar ao fim, abrirá os olhos e cantará sua música Vasto e só.”
Conhecem criaturas assim? Não se apressem a julgá-las e, sobretudo, a julgá-las leviana e apressadamente. Merecem medida especial, tratamento à parte, as aves e as pessoas que voam alto e a sós...
O segundo poema de Cecília Meireles, que eu vou recordar, lembra outros tipos de pessoas: abertas, cheias de vida, de imaginação, de alegria:

CANÇÃO

 “Se não chover, nem ventar, Se lua e sol forem limpos E houver festa pelo mar ir-te-ei visitar. Se o chão se cobrir de flor E o endereço estiver claro E o mundo livre da dor Ir-te-ei ver, amor! Se o tempo não tiver fim, Se a terra e o céu se encontrarem À porta do teu jardim — espera por mim!”
 Há duas flores iguais? Nem na mesma roseira as rosas são iguais. Elas se parecem, mas cada uma é diferente das outras. É tão importante entender cada um e cada uma como é. De modo algum estou com isto negando o trabalho educativo ou ação de amizade, quando se trata de adultos.


Mas a primeira condição para ser válido qualquer trabalho de ajuda a uma pessoa amiga é não entrar na contramão. Os dois poemas de Cecília Meireles nos puseram diante de dois tipos totalmente diversos. Imagine-se, agora, que cada um é único. Nunca se espantou sabendo que cada pessoa tem impressão digital inconfundível? Deus não se repete: não usa xerox. Cada um é único. Cada uma é única. Tentar conhecer — sem bisbilhotice, com amizade, por interesse humano e cristão o jeitão de cada um é o começo do começo para um feliz entendimento.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

NOTA DO FÓRUM ARTICULAÇÃO DE LEIGOS E LEIGAS CRISTÃOS EM APOIO A DOM FERNANDO SABURIDO



O verdadeiro cristianismo rejeita a ideia de que uns nascem pobres e outros ricos, e que os pobres devem atribuir a sua pobreza à vontade de Deus”. Dom Helder Camara

Foi por acreditar nessa verdade que Dom Helder Camara lutou para que todos os seres humanos tivessem seus direitos assegurados. É, sem a menor dúvida, o guardião, o patrono, e por que não dizer, o Profeta dos direitos humanos, no Brasil e, quiçá, no mundo.
E é por isso que apoiamos, incondicionalmente, o arcebispo Dom Fernando Saburido, quando nos conclama a exigirmos dos poderes públicos coerência em seus posicionamentos e a continuarmos firmes  em nossa luta pelo resgate dos direitos que foram usurpados da população brasileira como o congelamento, por vinte anos, dos recursos para saúde e educação, o esmagamento da CLT com a perda dos direitos trabalhistas e a famigerada reforma da previdência que pende, como uma espada, sobre as nossas cabeças.
Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10). Esse é o legado de cada cristão, de cada cristã, de cada pessoa que acredita em mundo novo possível. Essa é a nossa bandeira. É dessa luta que Dom Helder foi e sempre será o patrono e inspirador.
Recife, 09 de janeiro de 2018.
Fórum Articulação de Leigos e Leigas - Arquidiocese de Olinda e Recife
Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida-Comitê Pernambucano/ Ação Viva
Associação dos Trapeiros de Emaús - Recife
CDH/OAB - Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil/PE
CEBI - Centro de Estudos Bíblicos
CEB´s
Centro Educacional Profissionalizante do Flau - Turma do Flau
Comissão de Direitos Humanos Dom Helder Camara da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE
Grupo de Partilha Amigos para Sempre na Fé e na Vida
Grupo de Leigos Católicos Igreja Nova
Grupo Encontro da Partilha
Grupo Fé e Política Dom Helder Câmara
Grupo Mulher Maravilha
IDHeC – Instituto Dom Helder Camara
MCC - Movimento de Cursilhos de Cristandade da Arquidiocese de Olinda e Recife
MPC – Movimento de Profissionais Cristãos
MIRE  - Mística e Revolução
MTC/NE II - Movimento de Trabalhadores Cristãos
RCB – Renovação Cristã do Brasil
Tenda da Fé