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sexta-feira, 3 de abril de 2015

HISTÓRIAS DO DIA A DIA DO DOM

Aqui estão algumas histórias do cotidiano de Dom Helder, contadas por pessoas que conviveram de perto com ele. 

#- Quando ainda era padre, lá no Ceará, Helder foi chamado pelo seu bispo para prestar esclarecimento sobre uma denúncia: algumas "pias" senhoras reclamaram que o padre Helder estava dando comunhão a moças e senhoras que não estavam usando meias...ao que ele respondeu: "Eminência, não posso afirmar se dei ou não dei a comunhão a algumas pessoas que não estavam usando meias, porque nesta hora eu só olho para Ele..."

# - De outra feita, desta vez já como bispo, a madre superiora de uma ordem religiosa muito rigorosa foi queixar-se do padre que lhes dava assistência, pois o mesmo estava dando a comunhão às freiras em pé (era permitido somente às ajoelhadas). Ao que o Dom respondeu seriamente: "- Madre, a senhora trouxe um grave problema de consciência para seu bispo..." - "Perdoe, Eminência" disse a madre se desculpando apreensiva. E o Dom completou: - "Eu até hoje só comunguei em pé...."

#- Quando Abbé Pierre, fundador dos Trapeiros de Emaús,  esteve no Rio de Janeiro, em 1954, manifestou desejo de conhecer o bispo-auxiliar, Dom Helder. Como não falava português, foi ao encontro de Helder, acompanhado de um conselheiro da Embaixada Francesa.
Após transcorridos 30 minutos de conversa, através do intérprete, foi que este e Abbé Pierre perceberam que o Dom falava fluentemente francês. A partir de então, era o próprio Dom que servia de intérprete a Abbé Pierre, quando ele vinha ao Brasil.

#- Certo dia, quando andava na rua com um padre amigo, um mendigo lhe pediu esmola. Como sempre, retirou do bolso sem contar e deu algumas moedas. A reação do pedinte foi imediata. Após reclamar da quantia pequena, jogou-a no chão. O padre ficou indignado; o Dom, porém, se abaixou, pegou o dinheiro no chão e retirando mais do bolso, deu ao mendigo. O padre reclamou, porém o Dom falou calmamente "ele tinha razão...".

#- Em outra ocasião, Dom Helder foi ao cinema, acompanhando Zezita e duas crianças, para assistirem ao filme  E.T. (O Extraterrestre).
 Terminada a sessão, o Dom perguntou às crianças se haviam gostado do filme e o que haviam achado do E.T. Ao que as crianças responderam: "Gostamos sim. Ele feio e bonzinho, igual ao senhor”.

#- Uma vez, quando era bispo auxiliar do Rio de Janeiro, Dom Helder foi acordado no meio da noite, por uma família aflita, que tivera o seu chefe preso. Já naquela época, ser preso não era brincadeira. Preocupado, Dom Helder correu à delegacia, para interceder pelo preso. Chegando lá, falou com o delegado, dizendo que este havia prendido um irmão seu. O delegado, meio sem jeito, mandou logo soltar o cidadão. Quando Dom Helder ia embora, o delegado comentou: "Mas o senhor e seu irmão são bem diferentes, hein?" Ao que Dom Helder respondeu: "é porque a mãe não é a mesma, mas o Pai é".

#-Logo após o Concílio Vaticano II, Dom Helder foi entrevistado em um programa chamado "Cadeira de Engraxate", comandao por Ruy Cabral , na então Tv Jornal do Commércio. Disse-lhe Ruy: "Dom Helder, em breve os padres não serão mais obrigados a usar batina e poderão usar calças. O senhor vai usar calças também?" Ao que respondeu Dom Helder, levantando a batina e exibindo a calça que usava por baixo: "Seu cabra, por acaso você acha que eu não uso calças, é?"

#- De viverem sempre abertos, dia e noite, os portões do Palácio dos Manguinhos, durante todo o período em que o Dom foi o arcebispo titular (1964/1985), quando da primeira vinda do Papa João Paulo II ao Recife (1980), os seguranças que acompanhavam Sua Santidade exigiram que fossem fechados. Mas os portões estavam tão emperrados em ficarem abertos que foi necessária a intervenção de um serralheiro.

#- De outra vez, preocupados com a segurança do Dom, seus colaboradores foram lhe solicitar que permitisse a presença muito discreta de alguma pessoa que fizesse sua segurança, pelo menos durante a madrugada, ao que ele respondeu: "quem me colocou aqui está me guardando, até quando eu estiver servindo a Ele...."
# - O governo militar, temendo que algo acontecesse a Dom Helder e a culpa recaísse sobre a ditadura, enviou delegados da Polícia Federal para lhe oferecer proteção. Dom Helder reagiu: “Não preciso de vocês, já tenho quem cuide de minha segurança”.
 “O senhor não pode ter um esquema privado. Todos que têm segurança precisam registrá-la na Polícia Federal. Essa equipe precisa ser de nosso conhecimento, inclusive devido ao porte de armas. Quem cuida da sua segurança?”. Dom Helder retrucou: “Podem anotar, são três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo”.

#-Muitas e muitas vezes D. Helder se viu sem dinheiro na rua. Apesar dos cuidados de Zezita que organizava tudo, principalmente nas viagens, durante o caminho, à medida que inúmeros pedintes iam lhe solicitando esmolas, o Dom ia tirando do bolso, sem nem contar e atendia a todos. Certa vez chegando ao balcão de embarque do aeroporto dos Guararapes para uma de suas conferências na Europa, ele estava literalmente sem um tostão no bolso....

#- De outra vez, ao sair para almoçar com um bispo amigo dele, D. Helder recebeu uma doação em dinheiro e colocou o montante no bolso, sem nem ao menos contar. Durante o almoço, um mendigo apareceu e pediu-lhe uma esmola. Prontamente colocou a mão no bolso e deu tudo o que tinha recebido...

#- Certa vez, embarcando para o exterior, ficou sem passaporte.... Onde o senhor perdeu? Perguntava aflita a atenta secretária. "É que uma senhora me pediu um retrato e como eu só tinha aquele....”


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