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sábado, 4 de abril de 2015

LINHA DO TEMPO


1909

 - 07 de fevereiro – Em Fortaleza, Ceará, nascia Helder, o décimo primeiro filho de uma família simples e numerosa, composta de treze filhos, dos quais somente oito conseguiram sobreviver, os demais falecendo vitimados por uma epidemia de gripe que assolou a região no ano de 1905. O nome Helder foi decisão do pai. Sua mãe teria preferido batizá-lo José. Em memória dela, assinará com este pseudônimo as suas mais íntimas meditações: padre José.


1917

- 29 de setembro  – O pequeno Helder recebe a Primeira Eucaristia.


1923

 - Ingressa no Seminário Diocesano de Fortaleza (Prainha), dirigido pelos padres larazistas, onde faz os cursos preparatórios e depois filosofia e teologia.


1931

 – 15 de agosto – É ordenado padre, aos 22 anos, após receber uma autorização especial da Santa Sé, por estar abaixo da idade mínima exigida para ordenação.



16 de agosto – Celebra sua primeira missa. Por falar termos eruditos e pouco usados recebe um conselho de um dos seus professores, o Padre Breno, para que usasse sempre palavras simples, que o povo que o ouvia pudesse entender.

- Empenhou-se na organização do Movimento Juventude Operária Católica.

- Assume a função de Assistente Eclesiástico da Liga dos Professores Católicos.

- Passa a ensinar religião no Liceu do Ceará, transmitindo os ensinamentos do programa com muita eficiência.


- Junto a dois amigos funda a Legião  Cearense do Trabalho.

1933

-  Ao lado das lavadeiras, passadeiras e empregadas domésticas, institui a Sindicalização Operária Feminina Católica.

- A convite de Plínio Salgado, filia-se à Ação Integralista Brasileira, onde exerceu atividades de Secretário de Estudos da AIB, no Ceará.


1935

- Assume o cargo de Diretor da Instrução Pública do Estado, atualmente correspondente às funções de Secretário de Educação. Nas novas funções, Dom Helder contribuiu de maneira decisiva para a reforma do método de ensino e melhor desenvolvimento da educação pública cearense.

1936

- Janeiro – Desiludido com a política e o poder, abalado pela morte da mãe e perseguido por calúnias, parte para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, a bordo do navio Afonso Pena. O cardeal Leme o acolhe, mas não lhe dá muito espaço pastoral.

- Dedica-se então ao trabalho burocrático, onde  torna-se assistente técnico da Secretaria de Educação,  Inspetor de Ensino do Ministério da Educação e conselheiro da Nunciatura Apostólica.

- O arcebispo, dom Sebastião Leme, também o nomeia diretor de ensino religioso e da renovação catequética da arquidiocese. O Dom já se identificava com os pobres.

- Deliga-se do Integralismo.
         
1936/1946

- Sem encargo eclesiástico, mantém intensa atividade intelectual e apostólica. Escreve, publica, leciona, organiza pequenos grupos de jovens. Um deles tornou-se a “Família do São Joaquim”, nome do edifício da Cúria arquidiocesana do Rio.

- Em 1946 dom Sebastião Leme é substituído por dom Jaime de Barros Câmara, que afasta o Pe. Helder das tarefas burocráticas, já com a intenção de torná-lo bispo auxiliar. Padre Helder é nomeado vice-assistente nacional da Ação Católica e cria o Secretariado Permanente, que o transforma em aglutinador das forças eclesiais até ali dispersas. Promove Semanas Sociais, reúne leigos, religiosos e bispos para a discussão dos grandes problemas nacionais.


1947 a 1952

- Dirige e colabora com as revistas Ação Católica e Assistente Eclesiástico.
1949

-Torna-se primeiro redator e depois diretor da revista Catequética e um dos principais colaboradores da Revista Eclesiástica Brasileira.

1950

  É nomeado conselheiro da Nunciatura Apostólica e conhece, em Roma,  o  monsenhor Giovanni Batista Montini, futuro papa Paulo VI, seu grande amigo no Congresso Mundial do Apostolado Leigo. Ainda padre, Helder lança nas mãos do monsenhor as primeiras sementes da futura CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
1951

 - Utilizou o rádio para criar o primeiro movimento de alfabetização e educação popular do país. Esse talento de comunicador e aglutinador de pessoas o leva à coordenação do 36º Congresso Eucarístico Internacional.


1952

- 20 de abril - É sagrado bispo, escolhendo como lema do seu ministério episcopal "IN MANUS TUAS".


- Consegue concretizar o sonho da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB.

1952 a 1962,

- Desempenha a função de assistente nacional da Ação Católica Brasileira.


1952 a 1964

- Exerce o cargo de Secretário Geral da CNBB.



 1955

- 02 de Abril – É nomeado Arcebispo Auxiliar do Rio de Janeiro.



- Destaca-se como organizador e Secretário-Geral do XXXVI Congresso Eucarístico Internacional, na cidade do Rio de Janeiro.


- Ao lado de seu amigo Manuel Larraín, bispo de Talca (Chile), Dom Helder tem participação efetiva na reunião preparatória da 1ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano para a fundação do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM).

1956

- 29 de outubro - Funda a Cruzada São Sebastião, no Rio de Janeiro, “com o objetivo de dar solução humana e cristã ao problema das favelas da cidade”. Assim, conseguiu transferir moradores da favela da Praia do Pinto para prédios de apartamentos no Leblon.


  
1958 a 1966,

- É Delegado do Brasil e 2º Vice-Presidente do CELAM.



1959

- Em um final de semana do mês de outubro, Dom Helder inaugura o Banco da Providência, com o objetivo de distribuir aos mais necessitados os bens e serviços que sobravam entre os ricos e remediados. Começou como uma quermesse, mas teve o apoio de autoridades civis e militares, empresários, intelectuais, profissionais liberais, artistas e colunáveis. O Banco funciona até hoje com um atendimento exemplar. O lema atingiu todas as camadas sociais: “Ninguém é tão pobre que não tenha o que oferecer. Ninguém é tão rico que não precise de ajuda.”.

1960

 - Dom Helder cria a Feira da Providência para financiar as atividades do Banco da Providência, que já atendia a pobreza do Rio de Janeiro.



1962 a 1965

- Padre conciliar nas quatro sessões do Concílio Vaticano II.

1962/1965

- Preocupado com os pobres e engajado na luta contra as estruturas que geram a pobreza, Dom Helder chega à Roma, em 1962, para o início do Concílio Vaticano II, com um preciso plano de trabalho e aperfeiçoamento pessoal.

Durante o Concílio, torna-se um dos 18 líderes do episcopado, mesmo não tendo nunca falado “em Aula”, na Basílica de São Pedro.  Sob sua batuta, a CNBB prepara o Plano de Emergência durante o Concílio, que culminará na elaboração do Plano de Pastoral de Conjunto. Participa dos grupos informais que mais influenciam os grandes textos conciliares, especialmente a Gaudium et spes, de cuja Comissão (Apostolado dos Leigos) participa desde 1963.


Dom Helder teve uma significativa participação nas resoluções do Concílio Vaticano II,  que representaram grandes mudanças na Igreja em todo o mundo. 
1964

- 12 de abril  Toma posse como sexto arcebispo residencial à sede de Olinda e Recife, sendo notificado da transferência em meados de março, poucos dias antes do golpe militar.


Com fama de conciliador, é saudado pelos militares que estão no poder. Mas logo no seu discurso de posse, ao apresentar sua proposta de atuação à frente da Arquidiocese, define-a também como um serviço voltado para a defesa dos direitos humanos, a organização e conscientização das comunidades de baixa renda.

- 14 de abril - A imprensa publica a íntegra da declaração dos bispos nordestinos onde manifestam “o firme apoio aos movimentos apostólicos” e afirmam “a Igreja de Deus, no exercício de sua missão, não está vinculada a regimes ou governos”, mas “colabora com o bem comum”.

- Membro da Comissão Apostolado dos Leigos e Meios de Comunicação Social.

1965

- Dom Helder cria a Operação Esperança, durante uma grande enchente na cidade do Recife, baseada na homônima iniciativa dos monges de Taizé.

A OP nasceu para atender de imediato aos flagelados, acolhidos em igrejas e escolas, e se prolongou pela conscientização dos pobres de se organizarem e lutarem pelos seus direitos. 

- 16 de novembro – Nasce O Pacto das Catacumbas,   um documento redigido e assinado por 39 religiosos participantes do Concílio Vaticano II, entre eles muitos bispos latino-americanos, pouco antes da conclusão do Concílio. Este documento foi firmado após a eucaristia na Catacumba de Domitila.

1966

Tem início a perseguição militar ao arcebispo a partir de duas circulares emitidas pela 10ª Região Militar, em Fortaleza, acusando-o de “demagogo e comunista”, por ele ter criticado a situação de miséria dos agricultores nordestinos. Um general do exército ainda o responsabiliza pela “desagregação do rebanho católico” e o denomina “esquerdista”.

1967

 – 25 de Setembro -  Dom Helder recebe o título de Cidadão Pernambucano da Assembleia Legislativa, quando faz um contundente discurso contra a ditadura militar.

- ACNBB critica veementemente a falta de liberdade no país.

- 15 de agosto – Publicado um importante documento assinado por 17 bispos, dos quais, oito brasileiros, onde se passava a mensagem dos bispos do terceiro mundo.

1968

- Inauguração do SERENE II – o Seminário Regional do Nordeste, com a implantação da teologia libertadora. Dom Helder funda o Seminário junto com os bispos do Nordeste, reorienta a filosofia do ensino dentro do espírito da Conferência Episcopal de Medellín. A ideia era formar comunidades de seminaristas, morando em casas alugadas, em bairros populares, com uma preparação intelectual integrada à realidade brasileira e inspirada na Teologia da Libertação.

 - Inauguração do ITER - o Instituto de Teologia do Recife, que formava parte do clero, religiosos e leigos, e também agentes pastorais.



 - É Delegado do Episcopado Brasileiro na 2ª Assembleia Geral do Episcopado Latino-Americano em Medelín, na Colômbia.

1969

– Em preparação da Semana Santa, nasce o Encontro de Irmãos, movimento de evangelização popular alimentado pelo rádio. Dele se originaram as Comunidades Eclesiais de Base – CEBs que se multiplicaram e chegam a 230.

- O fato mais contundente e cruel deste ano, para Dom Helder, foi o assassinato do Pe. Antônio Henrique Pereira Neto, aos 28 anos de idade e três de sacerdócio, pela repressão militar. O padre foi torturado, morto e jogado num matagal. O crime não foi esclarecido e foi considerado  um ato de intimidação para calar Dom Helder.

- A partir desse período, o arcebispo passou a receber cerca de 80 convites anuais,  de Universidades e entidades estrangeiras, para palestras e encontros que reuniam centenas de pessoas. Tornou-se assim, uma referência internacional na defesa dos Direitos Humanos e dos países do chamado Terceiro Mundo, contra o imperialismo dos países desenvolvidos.

- Recebe o prêmio “Memorial Juan XXIII, no sétimo aniversário da Pacem in Terris.”.

1970

 – Dom Helder recebe o Prêmio Martin Luther King (EUA) pela defesa dos Direitos Humanos e o “Internacional Viaggio”, com o título “O Homem do Terceiro Mundo”, da Itália.  


- Os bispos alemães e a Confederação Latino-Americana Sindical Cristã indicam seu nome para o Prêmio Nobel da Paz. Os militares brasileiros promovem campanha internacional contra.

- Dom Helder começa uma série de denúncias de tortura a presos políticos no Brasil, iniciando pelo desafiador discurso no Palácio dos Esportes de Paris, para centenas de jovens, e se repetindo em vários outros países da Europa. 
  
- No mês de setembro, duas portarias do Ministério da Justiça determinam: 1) “ficam proibidas em todos os órgãos de imprensa, rádio e televisão, publicações e divulgação de  entrevistas, artigos e reportagens de Dom Helder Camara”; 2) “Proibidas quaisquer manifestações, na imprensa falada, escrita e televisada, contra ou a favor de dom Helder. Tal proibição é extensiva aos horários de televisão reservados à propaganda política”. Foi uma “morte” cívica.

1970/1973

-  Articulistas de jornais brasileiros escrevem contra Dom Helder, a exemplo de Gilberto Freire, que chega a compará-lo a Goebbels, divulgador das ideias nazistas e  Plínio Correia, presidente da TFP (Tradição, Família e Propriedade). A residência de Dom Helder e a lateral da Igreja das Fronteiras foram metralhadas duas vezes e pichadas com “Morte ao bispo vermelho”, “Brasil, ame-o ou deixe-o.”

1971

O Ano Missionário e a Assembleia realizada no Natal.

1973

- Dom Helder recebe o “Prix Hammarskjoeld” – Gran Collar AL aternidad y solidariedad universal.

1974

- Delegado do Episcopado Brasileiro no 3º Sínodo dos Bispos. Com o seu apoio foi criado no Recife o Serviço de Documentação e Informação Popular (SEDIPO), com o objetivo de fornecer a entidades do movimento popular do Grande Recife informações e documentos sobre a conjuntura mundial.

- Assembleia Arquidiocesana de Pastoral.

- O Dom recebe dois prêmios “Popular da Paz”, um da Alemanha e outro da Noruega, pela sua atuação em defesa da paz, e investe na compra do Engenho Ipiranga, no Cabo de Santo Agostinho. Quarenta famílias foram beneficiadas pela posse da terra. Outros dois engenhos foram comprados e serviram à Operação Esperança.

- Na Itália recebeu o prêmio “Melhor Escritor sobre os problemas do Terceiro Mundo”.  

- Em 1975 Dom Helder recebe os prêmios: “São Francisco” da North American Federation Third Order of S. Francis; “Voice of Justice”, dos índios americanos em Indiana, USA; “Pacem in Terris Peace and Freedom Award, da Catholic Internacional Council dos Estados Unidos; “Da Paz Victor Gollancz Humanity Award” em Londres.

1976

-  Tricentenário da Arquidiocese de Olinda e Recife. 

- Recebeu o prêmio “Thomas Merton”, em Pittsburg – USA.

1977

- Assembleia Arquidiocesana de Pastoral.

- Criação da Comissão de Justiça e Paz, importantíssima para a defesa dos presos políticos e perseguidos pelo regime militar. Também se envolveu na luta contra o extermínio de menores delinquentes no Grande Recife e implantou o Plano das Zonas de Interesse Social – PREZEIS, para a questão do uso do solo urbano.

1978

- Após cinco anos de silêncio imposto à mídia, quanto ao nome de Dom Helder, o Jornal do Brasil rompe a censura e publica entrevista de Dom Helder concedida à repórter Divane Carvalho, da sucursal de Recife, sob o título “Quanto mais negra é a noite mais carrega em si a madrugada”, onde o Dom fala de sua militância, relações entre Igreja e Estado, acusação de ligação com os comunistas e problemas sociais brasileiros.

1979

- É Delegado do Episcopado Brasileiro na 3ª Assembleia Geral do Episcopado Latino-Americano em Puebla, no México.

1980

- 7 e 8 de julho -  Visita do papa João Paulo II ao Recife. O papa saúda Dom Helder como “Irmão dos pobres e meu irmão”.


- Estreia da Sinfonia dos Dois Mundos,  no Collegium Academicum em Genebra, Suíça, com texto em francês de Dom Helder e música do maestro suíço Pierre Kaelin. Foi exibida  44 vezes em 14 países e em 39 cidades, em três continentes.



1981

- assembleia Arquidiocesana de Pastoral.

 - O prêmio Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel visitou Dom Helder em Recife, apoiando os movimentos sociais da arquidiocese e a luta pela terra.

1982


- O Serviço Missionário Giovanei, de Turim, Itália, lhe concede o prêmio “Artesãos da Paz”; a Comunen di Dusino San Michele Asti, da Itália, lhe concede o prêmio “Ordine AL Merito della Pace” e TV Globo São Paulo lhe confere o premio “Mahatma Ghandi”. 

1983

- 7 de abril - Dom Helder recebe um dos prêmios mais simbólicos do seu Ecumenismo sem fronteiras: “Niwano Peace Prize”, atribuído pela 1ª vez pela comunidade budista Niwano Peace Foundation – Japão, e justo a um bispo católico. 




1984

 - Amigos e colaboradores do Dom criam a Obras de Frei Francisco (hoje Instituto Dom Helder Camara), com o objetivo de dar continuidade à sua ação pastoral após a aposentadoria.  É responsável, entre outras, pela “Campanha Ano 2000 sem miséria”.

1985

 - 10 de abril - Atingido pela regra do limite de idade que ele mesmo ajudara a criar, afasta-se, como Arcebispo emérito, do governo pastoral de Olinda e Recife. Faz opção por continuar residindo no anexo da Igreja das Fronteiras. Foi substituído por Dom José Cardoso, nomeado por João Paulo II.

- Dom Helder recebe o prêmio “Il XIII Premio Internazionale Della Testimonianza”, título “Profeta Del Terzo Mundo”, das dioceses de Mileto, Nicotera e Tropea, Itália.

1986

- O Dom é agraciado com os prêmios “Raoul Follereau” e “Roma-Brasília Cidade da Paz”, em Roma, Itália.
- Fundação da Casa de Frei Francisco.

1990

Dom Helder lança a Campanha Ano 2000 Sem Miséria


1996

– Dom Helder acolhe na arquidiocese o Movimento Trapeiros de Emaús, criado pelo padre italiano Abbé Pierre. Os Trapeiros recolhem os mais diversos objetos descartados pelas famílias, recupera e vende na comunidade a preços simbólicos. O bazar é considerado o Shopping dos Pobres e gera renda para os restauradores da própria comunidade.



1997


Encontro  com o papa João Paulo II, na Catedral do Rio de Janeiro.



1998


O Grupo de Leigos Católicos Igreja Nova promove a I Jornada Teológica do Recife, homenageando o Dom e tendo, como objetivo manter acesa a chama de seus ensinamentos.




1999


 – Em 27 de agosto, aos 90 anos, morre Dom Helder, deixando como legado às futuras gerações, além da imagem de bondade e serviço amoroso aos pobres, um acervo ainda imensurável de escritos sempre atuais, para a história da Igreja e para a sociedade universal. O féretro foi conduzido a pé pelo povo, que ele tanto amou, da Igreja das Fronteiras à Sé de Olinda, seu repouso definitivo.


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