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sábado, 4 de abril de 2015

NATIVIDADE

NATIVIDADE
"José partiu também da Galileia, da aldeia de Nazaré, em direção a Judéia, à aldeia de Davi a que chamavam Belém – pois ele era da mesma casa e da mesma família de Davi - para submeter-se ao recenseamento ao lado de Maria, sua esposa, que estava grávida. Ora, estando ali, aconteceu que se completaram os dias da gravidez e ela deu à luz o seu filho primogênito. Enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem" (Lucas 2,4-7).
Essa cena, como se sabe, podemos revivê-la quase todos os dias em regiões como aquela em que nasci. Porque vivemos todos o drama da terra. Grandes companhias compram propriedades no interior do país e as famílias que nelas residem, há anos e anos, dali devem partir. Quando chegam a cidades como o Recife, por exemplo, buscam desesperadamente um lugar onde se possam acomodar. É comum que muitas mães estejam grávidas. Erguem, pois miseráveis choupanas (às vezes nem choupanas chegam a ser, de tão precárias) em locais onde ninguém quer morar, na região dos alagados. Mas é ali mesmo que o Cristo renasce... Não há o boi e nem o asno, mas um porco, vários porcos, às vezes galinhas também. É o presépio, o presépio revivido.
Na época do Natal, naturalmente, sempre vou celebrar a Missa nesta ou naquela igreja, mas muito me conforta poder rezá-la também num desses presépios vivos. Por que teria eu de ir em peregrinação a Belém, ao lugar do nascimento histórico do Cristo, se posso vê-lo renascer a cada instante, ao pé de mim? Ele poderá chamar-se João, Antônio, Sebastião, Severino... Mas é, e será sempre, o Cristo!
Ah, como somos cegos e surdos! Por que temos dificuldade em compreender que o Evangelho se vê repetindo a cada instante diante de nós?
(Do livro “O Evangelho com Dom Helder”)


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