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domingo, 10 de maio de 2015

REFLEXÕES DE UMA VISITA ÀS RAÍZES CARIOCAS DE DOM HELDER


Por ASSUERO GOMES

Encontro, numa tarde de janeiro, no seu apartamento em Botafogo, sozinha, mergulhada em alegres recordações, a Nair, irmã quase nonagenária do nosso querido Dom. Ela nos espera para a visita. Na sala o retrato dele pintado a óleo. Um retrato que pode ter salvo a vida dela. Eu conto depois.
Em cada canto uma recordação. Fala-nos do seu amor pela ópera, pelo teatro, pelo ballet, pelos cristais. De suas amizades sinceras. Do irmão querido. Entre lágrimas e palavras. Cada "biscuit" é uma recordação.

Serve-nos um gostoso sorvete de milho, ali mesmo na cozinha. Puxo a conversa sobre o Dom.

- Uma das coisas que eu mais gravei, foi a alegria dele, quando chegou aqui, alegre, gesticulando, dizendo " maninha, hoje todas as religiões se encontraram, se deram as mãos..." "para mim a pior briga é na Igreja, a segunda é na família, ah ! Eu acho horrível..."



Pergunta-nos pela família, se estamos gostando do Rio...

Fala-nos de sua admiração pela França, e que se o Dom soubesse haveria de ter providenciado para ela ir....questiona-se sobre a Internet...

 E a irmã do Dom, Nair, continua contando suas histórias, da família, dos passeios, mostra-nos o quarto do Dom, absolutamente conservado como ele deixou, desde que era o "padrezinho" lá no Rio.

Conta-nos que como ela gosta de lustres, colocou um no quarto dele e ficou preocupada se ele acharia muito "luxuoso". Mas D. Helder disse que ela não se preocupasse, e assim ficou. O contraste é grande com o restante do pequeno quarto, mobiliado com uma cama "patente", uma cadeira, um birô, e uma estante com uma grande coleção de livros. Tudo no mesmo lugar como quando ele esteve ali pela última vez e disse para a irmã "agora só lá mesmo no céu"...o crucifixo sempre na cabeceira da cama, os objetos de celebração da missa, tudo carinhosamente guardado, como se o tempo esperasse um pouco.

Na sala do apartamento em Botafogo, Nair, a maninha do Dom, nos conta como foi o assalto que sofreu e como o quadro do Dom de certa forma a ajudou.


O apartamento foi invadido por um casal de assaltantes. Enquanto o homem colocava o revólver na cabeça dela, a mulher roubava. A vítima, de quase noventa anos, pede ao assaltante para que não a moleste, podendo levar o que quisesse, ele, porém,  não mostrava sinais de compaixão. A um certo momento ela apela e diz: "por favor não me machuque, olhe, eu tenho um irmão importante ( o Dom já havia falecido há algum tempo ) e você pode se arrepender..." de repente o assaltante levanta os olhos e vê o retrato do Dom na parede e compreende então. Coloca a mão na testa e diz: "hi ! Dele até que eu gosto"....Depois disso, apesar de levar o que tinha roubado, parou e foi embora sem molestar a vítima...

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