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terça-feira, 5 de maio de 2015

HERANÇA DO DOM ALIMENTA POBRES

Todas as tardes, mendigos e moradores de rua sabem onde encontrar um prato de sopa quente, feita com capricho: ao lado da Igreja das Fronteiras, na Boa Vista, onde funciona o Convento das Irmãs de Caridade de São Vicente de Paulo. Um caldeirão com o alimento é servido pela irmã Catarina Damasceno desde meados da década de 70. Herança de dom Helder Camara que a religiosa faz questão de manter.
 
Casa Provincial Nossa Senhora das Graças
Convento das Irmãs de Caridade São Vicente de Paulo


“Dom Helder não podia ver uma pessoa necessitada na rua que ajudava. Tinha sempre um trocado no bolso para dar. Parava para conversar, abraçava, tinha uma palavra de carinho”, conta irmã Catarina. A distribuição da sopa começou para atender as pessoas que o procuravam pedindo comida.

O alimento é preparado com doações que a religiosa ganha. Também o pão que cada morador de rua recebe diariamente. Trabalhando como voluntária no Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip), ela consegue ajuda de alguns médicos.

Outra fonte de recursos é a venda do livro Mil sementes caídas e algumas apanhadas, escrita pela freira. Na publicação, ela relata os 24 anos em que acompanhou o dia a dia do arcebispo de Olinda e Recife. A obra está à venda no Centro de Documentação Helder Camara (Cedhoc), que funciona nos fundos da Igreja das Fronteiras.

Cláudio Vasconcelos, 54 anos, há três morando na rua, elogia a iniciativa de irmã Catarina. “Ela se preocupa com a gente. Tem dia que só como a sopa”, conta. Maro Albuquerque, 50, lembra-se da época em que dom Helder acompanhava a entrega do alimento. “Ele falava com todo mundo”, diz.

Outra iniciativa inspirada em dom Helder, o Dom da Partilha, não teve continuidade. Não por vontade do fundador, o médico Assuero Gomes. O projeto, um restaurante popular que oferecia almoço por R$ 1, no Bongi, Zona Oeste, encerrou as atividades no fim de 2007 por falta de recursos. Durou um ano e quatro meses. Cerca de 350 pessoas comiam a quentinha todos os dias.

“No centenário de dom Helder, homenagens são importantes. Mas a melhor maneira de levar o ideal dele adiante é ajudando os pobres. Era isso que ele fazia. Vale lançar livros, celebrar missas. Mas o pobre, que era quem ele ajudava, continua sem atenção”, observa Assuero Gomes.

Por mês, ele investia aproximadamente R$ 3.500 para oferecer as refeições. Como o dinheiro pago pelas pessoas não cobria as despesas, o projeto teve que acabar. “Mandei 16 cartas para o governo do Estado, prefeituras, empresas, instituições religiosas. Ninguém se prontificou a ajudar o Dom da Partilha”, lamenta o médico.

Sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009


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