MENU

sexta-feira, 10 de abril de 2015

SUA HISTÓRIA

Dom Helder Camara nasceu em 7 de fevereiro de 1909, em Fortaleza, Ceará.


Seu pai era João Eduardo Torres Câmara Filho, maçom, jornalista, crítico teatral e funcionário de uma firma comercial. Sua mãe, Adelaide Pessoa Câmara, era professora primária. Formaram uma família simples e tiveram treze filhos, dos quais somente oito conseguiram sobreviver, os demais morreram vítimas de uma epidemia de gripe, que assolou a região no ano de 1905.

A tendência religiosa do pequeno Helder veio a florescer a partir dos quatro anos de idade, devido a influência dos padres lazaristas, que atuavam na Arquidiocese de Fortaleza.


Recebeu sua primeira eucaristia aos oito anos de idade e aos quatorze entrou no Seminário da Prainha de São José, em Fortaleza, onde fez o curso preparatório, e depois cursou filosofia e teologia. Durante os estudos sempre demonstrou desenvoltura nos debates filosóficos e teológicos.


Após entrar muito jovem no Seminário da capital do Ceará, se tornou padre aos 22 anos, sendo necessária uma autorização especial de Roma para a sua ordenação.


O primeiro momento da vida religiosa de dom Helder foi marcado pela militância junto a instituições políticas conservadores, como a Ação Integralista Brasileira, entre 1932 e 1937. Mais tarde, o religioso considerou a participação como um erro da juventude. Já radicado no Rio de Janeiro desde 1936, passou a optar por um trabalho assistencialista, quando fundou departamentos da Igreja voltados para atender aos mais necessitados.


Após longo período atuando na então capital do Brasil, dom Helder foi nomeado para a Arquidiocese de São Luís Maranhão. Com a morte do arcebispo de Olinda e Recife, dom Carlos Coelho, foi mandado para Pernambuco, onde desembarcou em 11 de abril de 1964, e assumiu o pastoreio no dia seguinte, poucos dias após o golpe militar. Na capital pernambucana, o religioso desembarcou em meio a uma relação conturbada entre Governo do Estado e Igreja.



Dois dias após a posse, Dom Helder lançaria, juntamente com outros 17 bispos nordestinos, um manifesto à Nação, pedindo a liberdade das pessoas e da Igreja. O primeiro grande atrito, entretanto, ocorreu em agosto de 1969, quando o arcebispo foi acusado de demagogo e comunista, por ter criticado a situação de miséria dos agricultores do Nordeste.


A partir de então, dom Helder sofreu represálias, inclusive tendo sua casa metralhada, assessores presos e com a morte de Padre Antônio Henrique, que foi assassinado. Em 1970, quando Dom Helder teve o nome lembrado para o Prêmio Nobel da Paz, o governo brasileiro promoveu uma campanha internacional para derrubar a indicação, já que ele denunciava a prática de tortura a presos políticos no Brasil. Também em 1970, os militares chegaram a proibir a imprensa de mencionar o nome do arcebispo de Recife e Olinda.


Dom Helder comandou a Arquidiocese de Olinda e Recife até o dia 10 de abril de 1985, quando – por atingir a idade limite de 75 anos – foi substituído pelo arcebispo dom José Cardoso Sobrinho.  Ele morreu em sua casa, no Recife, em 27 de agosto de 1999, devido a uma insuficiência respiratória decorrente de uma pneumonia. Seus restos mortais estão sepultados na Igreja Catedral Santíssimo Salvador do Mundo, em Olinda. 

Em fevereiro de 2014, a arquidiocese fez o translado dos restos mortais para uma capela lateral e, a pedido do IDHeC, colocou ao seu lado, Dom Lamartine. Por iniciativa do atual arcebispo, Dom Fernando Saburido, o espaço ainda contempla o mártir padre Henrique.


Pelo seu trabalho em defesa dos direitos humanos, dom Helder recebeu vários prêmios internacionais, como Martin Luther King, nos Estados Unidos, 1970, e o Prêmio Popular da Paz, na Noruega, 1974.  O religioso é autor de   35 livros, incluindo os 13 volumes das Obras Completas, a maioria ensaios e reflexões sobre o terceiro mundo e a Igreja.



Nenhum comentário:

Postar um comentário