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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O DOM E EU: “NÓS NÃO QUEREMOS A PAZ DOS PÂNTANOS, A PAZ ENGANADORA QUE ESCONDE INJUSTIÇAS E PODRIDÃO.”

Algumas palavras por ocasião da inauguração da “PRAÇA DA PAZ DOM HELDER CAMARA” - em  23 de julho de 2015 – Fortaleza (CE)

Por Geraldo Frencken


Quanta felicidade encontrarmo-nos neste lugar, denominado como “Praça da Paz”, denominação ainda enriquecida pelo nome de um dos maiores cearenses de todos os tempos, Helder Camara.

Felizes as pessoas que, ao longo de muitos anos se interessaram em fazer algo para que o nome deste nosso conterrâneo não caísse em esquecimento e lhe fosse dada um pouco mais de visibilidade na cidade onde nascera em 7 de fevereiro de 1909.

Em 31 de março de 2011, um pequeno grupo de pessoas, que Dom Helder chamaria de “minoria abraâmica”, se reuniu neste espaço, representando Comunidades Eclesiais de Base, Pastorais Sociais, Movimentos diversos, partidos políticos, pessoas da área da Justiça, diversos padres, etc., com a presença de Cristiano Camara com sua esposa, ele sobrinho do “Padre Helder”, como o Dom desejava ser chamada por seus familiares e amigos. Foi realizada uma “bênção simbólica” isto é, um “BATISMO POPULAR” (veja foto ao lado) deste enorme espaço na beira do mar, a fim de que ele se tornasse de fato um memorial ao Dom e retirar, para sempre, o atual nome de “Praça 31 de março”, tornando-se “PRAÇA DOM HELDER CAMARA”, uma atitude que visava semear esperança, dignidade humana, libertação definitiva de todas as formas de opressão tanto do passado, como do presente e do futuro. O sol daquela tarde foi se pondo mais feliz, mais bonito, dando espaço a este sonho, sabendo que ele somente poderia realizar-se se ficássemos vigilantes.
A Câmara Municipal aprovou o projeto Lei do vereador João Alfredo (PSOL) de 2009.

Hoje estamos aqui, novamente, para participarmos da inauguração desta praça, cujo nome será: “PRAÇA DA PAZ DOM HELDER CAMARA”.
Dom Helder, em uma de suas frases proféticas dedicadas à Paz, nos adverte a nós todos, ao afirmar que “Nós não queremos a paz dos pântanos, a paz enganadora que esconde injustiças e podridão!”

Como já anunciara o Profeta Isaías, não poderá haver paz sem justiça. Ele dizia: “O fruto da justiça será a paz. De fato, o trabalho da justiça resultará em tranquilidade e segurança permanentes.” (Is. 32, 17). Dom Helder traduziu estas palavras para nossos tempos, afirmando que “quem é despertado para as injustiças geradas pela má distribuição da riqueza, se tiver grandeza d’alma captará os protestos silenciosos ou violentos dos pobres. E o protesto dos pobres é a voz de Deus”.

Quem são estes pobres a quem Dom Helder se refere? São aqueles que vivem em situação de “sub-habitação, sub-trabalho, sub-diversão, sub-saúde, sub-vida!” Somente haverá paz a partir do momento em que transformarmos esta situação na qual tantas pessoas ainda se encontram. Sabemos que implantaremos justiça na medida em que possibilitamos a promoção humana, colocando sempre o ser humano no centro do nosso pensar e no nosso agir. O Dom afirmava que “é preciso ajudar verdadeiramente a promoção humana. Pois devemos encorajar. Não é nossa tarefa carregar as massas, mas é preciso encorajá-las. Então elas tomam coragem e isso é maravilhoso!”

Estamos certos de que o Dom se sentiria à vontade nesta praça.

Ao olhar a beleza do mar de cor predominante verde, engrandeceria o esplendor de toda a criação e, em especial, da natureza. Olhando as ondas do mar, se lembraria dos muitos banhos tomados, quando criança e jovem, lá adiante, na Barra do Ceará.

Observando a praça, vendo crianças, jovens e famílias passeando, se divertindo, praticando esportes, namorando, respirando vida, abriria seus braços e, como o fazia diante do altar do Senhor, dançaria junto com todos em louvor à vida.

Lançando seus olhares para as muitas comunidades aqui em frente à praça, como também ao longo das avenidas que acompanham a linha da praia, seu coração se encheria de compaixão e esperança, pois estas comunidades são “as suas meninas dos olhos” e para o seu povo diria, como quando de sua despedida da arquidiocese de Olinda e Recife: “Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo por este brado de esperança que podemos cantar com o nosso Povo: “Eu acredito que o Mundo será melhor, quando o menor que padece acreditar no menor”.

Seja a praça verdadeiramente

de paz e justiça, espaço para todos, respirando vida!

Fortaleza, 23 -7- 2015,
Geraldo Frencken, em nome do “Grupo Dom Helder”



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