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terça-feira, 13 de outubro de 2015

O DOM E EU: DOM HELDER CAMARA

 por Ir. Vanda de Araújo

Conhecemos um homem de estatura pequena e de aparência frágil.
Dentro dele pulsava um coração de gigante.


A paixão por Deus e pelos irmãos o colocava em ação de forma que ninguém nem dentro e nem de fora da Igreja poderia detê-lo.

Homem que sabia sonhar e que lutava para transformar os sonhos em realidade.

Homem que sonhava e trabalhava junto.

Homem de ação enraizada na oração das longas vigílias das muitas madrugadas da sua vida.

Homem que se preparava de alma e corpo para celebrar a Eucaristia.

Homem cuja vida era uma Eucaristia – quando não estava celebrando, estava em preparação ou em ação de graças.

Homem de emoção que chorava celebrando os mistérios Eucarísticos, como chorava e agia diante do irmão ao relento, com fome, sofrido.

Gostava de andar a pé, de pegar a carona oferecida, de tomar cafezinho nas barracas e de almoçar "prato feito" com grupos de trabalhadores em seus locais de refeições.

Homem, Bispo, cujo "palácio" era a sacristia de uma velha igreja que se tornou mais histórica com seu pequeno-grande morador, do que com os motivos de sua construção.

Homem, Bispo, de batina bege, de cruz de madeira, que ficava sem jeito com os protocolos.

Homem, Bispo, que sabia recusar uma "cadeira-trono", porque o povo estava de pé.

Que dispensava um guarda-chuva, porque debaixo não cabia, todos que estavam se molhando na procissão.

Homem de pequenos-grandes gestos, que marcavam mais do que as muitas palavras.

Homem que quis receber o abraço definitivo do Pai em agosto, mês vocacional.

Mais do que ninguém, compreendeu e viveu o mistério do chamado do Pai, da resposta dada e do envio para uma missão que se continua mesmo, já no céu.
Homem ecumênico, sem fronteiras, homem de Deus, homem do povo.

Homem que "passou entre nós fazendo o bem".

Homem, Profeta de Deus, profeta do povo, da igreja e do mundo.

"DOM HELDER, que falta você nos faz".

Do céu, nos abrace com seus braços longos e nos abençoe com suas mãos delicadas e seu coração nordestino.

Maria Vanda de Araujo


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