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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

ATUALIDADES: IDHeC VISITA O ENGENHO IPIRANGA

Por Normândia Macedo

O Instituto Dom Helder Camara, IDHeC, representado pela Presidente do Conselho Curador, Teresa Duere e por mim, fez uma visita ao Engenho IPIRANGA no dia 16 de novembro de 2015, quando constatamos, com felicidade, que DOM HELDER está vivo na sua OBRA, e que  A OPERAÇÃO ESPERANÇA continua viva no ENGENHO IPIRANGA,  naquele povo, que lutou e luta por um mundo melhor e mais igual.

O primeiro encontro emocionado foi com o Senhor Antonio Pedro, Presidente da Associação dos Pequenos Agricultores Rurais, hoje com 80 anos, e muita alegria de viver! Ele foi nos encontrar no Cabo  para nos levar ao Engenho Ipiranga.



A visita começou pelo projeto do engenheiro reformado da Aeronáutica Ricardo, que comprou um lote no Engenho e está desenvolvendo um projeto de Gado Leiteiro. Ele está construindo o espaço para instalação de  uma ORDENHADEIRA MECÂNICA, já vendendo leite e, futuramente, queijo. Ele já faz parte da diretoria da Associação dos Pequenos Agricultores Rurais, como Secretário.

A ASSOCIAÇÃO DOS PEQUENOS AGRICULTORES RURAIS está íntegra, funcionando normalmente, e fazendo acontecer a história do  Engenho, que está localizado no município da Cidade do Cabo de Santo Agostinho, a 45 km do Recife. Foi comprado pela Operação Esperança, com uma doação da Igreja Holandesa, no ano de 1971, com 457 hectares, sendo 90 hectares de terra improdutiva e 351 hectares de área produtiva, com assentamento de 40 famílias.



A visita se estendeu à algumas famílias que fizeram a história do Engenho Ipiranga, lá viveram, trabalharam e criaram os seus filhos, sem maiores dificuldades. Eu e Teresa fomos acolhidas com muito carinho e atenção, e ainda fomos presenteadas com rúcula e coentro.


Todos falam de DOM HELDER com o mesmo carinho e respeito, até mesmo, os evangélicos, que se justificam dizendo que o Dom Helder dizia “não importa a religião, o importante é o amor a Deus e ao próximo”. Hoje a maioria é evangélica e no Engenho contamos três igrejas evangélicas.  Isso acontece porque a nossa Igreja abandonou os pobres, “os feridos de guerra” como bem dizia Dom Helder.

O maior problema para as famílias hoje é  os moradores estarem envelhecendo e a maioria dos filhos querer deixar o campo, em busca de trabalho e de uma vida nova na cidade.

Foi muito emoção para Teresa Duere que foi ao encontro de sua história, no ENGENHO IPIRANGA, quando trabalhou na OPERAÇÃO ESPERANÇA. Alguns moradores do Ipiranga se emocionaram com a visita dela e se encontraram no abraço da emoção do encontro. Falaram do trabalho amoroso de Dom Helder e da falta que ele faz a todos, até mesmo aos evangélicos.


Na visita à  família do Sr Antonio Pedro  pudemos ouvir um pouco da história da esposa dele, em plena lucidez nos seus 78 anos, mas um pouco abatida, parecendo mais envelhecida que o marido com 80 anos. Ela disse que trabalhou muito no serviço da casa e na fábrica de doces e relembrou com Teresa os bons tempos da fábrica. Mas, para sua tristeza, levaram tudo da fábrica e só deixaram para ela um freezer.


Outra família visitada foi a do  Sr. Severino que hoje está numa cadeira de rodas e emocionou-se muito com a presença de Teresa Duere. Eles trabalharam juntos no Engenho Ipiranga nos bons tempos de Dom Helder. 


Chorou muito e lamentou que a Operação Esperança tivesse acabado, mas Teresa lhe confortou com palavras de fé dizendo que a Operação Esperança está viva em cada um,  porque cada um é a Operação Esperança.


O Engenho Ipiranga é um lugar lindo, bucólico, tranquilo, arejado. Têm as casas dos moradores, pequenas, mas, relativamente, boas. Tem uma escola de Ensino Fundamental que atende à comunidade e ,para os alunos do Ensino Médio, a prefeitura disponibiliza ônibus para levar para escola na cidade.


Tivemos, eu e Teresa, a alegria de participar de um delicioso almoço, com o mesmo cardápio servido às crianças e, em seguida, participamos de uma reunião da Associação dos Pequenos Agricultores Rurais, com uma boa frequência de associados. O presidente da Associação iniciou suas palavras dizendo que estavam reunidos para receber a Dra. Teresa Duere que trabalhou no Engenho de Ipiranga e que agora voltou para tentar ajudar aos associados.


Teresa lembrou que Dom Helder sofreu muito por Ipiranga e ele não queria que plantassem cana, porque ele dizia que o trabalhador que planta cana cai na mão do patrão. E voltou a dizer que o  Ipiranga precisa ser repensado, para que todos possam deixar algo para os filhos. Fez várias sugestões e se prontificou a ajudar para que os moradores do Engenho consigam realizar um projeto de revitalização e crescimento, para que o Engenho Ipiranga continue sendo a realização de um sonho de Dom Helder.


Teresa fez algumas sugestões tais como  o plantio de uma lavoura branca e procurar informações sobre financiamentos adequados aos projetos do engenho. Ele lembrou ainda do Projeto de NATUBA que foi uma experiência que deu certo. E, com a frase “Vamos sonhar com um projeto tipo NATUBA!”, finalizou a sua fala.

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