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quarta-feira, 18 de maio de 2016

SEMANA DE ORAÇÕES PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

                                                        
O Espírito Santo, autêntico promotor da unidade, desde o século XIX inspirou homens e mulheres de fé a suplicar o dom da unidade dos cristãos mediante a oração. Assim fez o Papa Leão XIII, através da encíclica Providentissimus Deus (1885) e, antes dele, o episcopado anglicano na Conferência de Lambeth (1857) e o convertido Ignace Spencer (1840).

Entretanto só em 1908 a Semana de Orações pela Unidade Cristã tornou-se realidade a partir de uma proposta do reverendo anglicano convertido ao catolicismo romano, o Pe. Paul Watson, quando ele  convidou diversos grupos cristãos a dedicar a semana entre 18 e 25 de janeiro à oração intensiva pela recuperação da unidade cristã. Em 1921 o reverendo anglicano Spencer Jones promoveu uma oitava de orações pela unidade dos cristãos, iniciativa aperfeiçoada pela comissão “fé e constituição” em 1926. Desde 1957 é elaborado um subsídio comum para a oração nesses dias, tendo em vista a participação das várias denominações cristãs.

Sua redação é uma obra colegial onde tomam parte biblistas, liturgistas, teólogos e lideranças cristãs provenientes do protestantismo, do catolicismo romano e do catolicismo ortodoxo. Nesse sentido foi decisiva a contribuição do Padre Paul Couturier (1881-1953) para a maior aceitação dessa semana de oração. Couturier defendia que a oração pela unidade dos cristãos deveria pedir mais que a simples unificação dos cristãos numa única configuração institucional. O grande pedido é mais amplo e profundo: rogar por aquela unidade plena que ultrapassa as limitações históricas e eclesiais, diante das quais nos sentimos tantas vezes perplexos e sem ação. Uma unidade que “será como Deus quer, quando Ele quiser e através dos meios que Ele escolher”. Desta forma, assevera o ecumenista J. Bosch Navarro, “com tais pressupostos todos os cristãos podem reunir-se e orar juntos, pois não se trata de conversão ou absorção de umas Igrejas por outras, mas de purificação de todas elas e de sua conversão ao Senhor de todas”.

A semana de Orações é promovida mundialmente pelo Conselho Pontífice para Unidade dos Cristãos (CPUC) e pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), acontecendo em períodos diferentes nos dois hemisférios. Aqui no hemisfério Sul a Semana de Oração acontece no período entre a Ascenção do Senhor e a celebração de  Pentecostes (como foi sugerido pelo movimento Fé e Ordem, em 1926), que também é um momento simbólico para a unidade da Igreja. No Brasil, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) lidera e coordena as iniciativas para a celebração da Semana em diversos estados.

A cada ano é escolhido uma tema e um texto bíblico para a SOUC. Para 2016 o tema escolhido foi “Chamados a proclamar os altos feitos do Senhor” (cf. I Pedro 2,9). E, o texto bíblico: I Pedro 2,9-10

Vós, porém, sois a raça eleita, a comunidade sacerdotal do rei, a nação santa, o povo que Deus conquistou para si, para que proclameis os altos feitos daquele que das trevas vos chamou para sua maravilhosa luz; vós que outrora não éreis seu povo, mas agora sois o povo de Deus; vós que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia. A Biblia – Tradução ecumênica – TEB

Aqui na Arquidiocese de Olinda e Recife a Comissão de Ecumenismo e o CONIC decidiram que em lugar de fazer tudo em uma semana, seriam realizadas celebrações o mês inteiro e, a cada domingo, celebrariam em uma Igreja diferente. A proposta é que as Igrejas recebam os irmãos de outras denominações religiosas, inclusive não cristãs, para participarem das celebrações, dentro do rito de cada uma.

No domingo 1º de maio, abrindo a SOUC, a celebração foi na Igreja Batista dos Bultrins, com pregação do monge Marcelo Barros.

No domingo 08, por escolha dos membros do CONIC,  a festa da Ascenção do Senhor foi celebrada na Igreja das Fronteiras, ou a Igrejinha de Dom Helder, como é também conhecida, às 11h da manhã,  conduzida por Frei Tito Medeiros, carmelita, coordenador da Comissão Ecumênica da Arquidiocese de Olinda e Recife.

Estiveram presentes à celebração representantes das Igrejas Anglicana, Batista e da Fé Ba'hai.

Não foi por acaso que a Igreja das Fronteiras foi escolhida mas sim por seu ambiente propenso ao ecumenismo, uma vez que Dom Helder, em sua sabedoria, acolhia a todos e todas.

Em sua palestra proferida também na Igreja das Fronteiras, em 28 de fevereiro deste ano, por ocasião da celebração dos 107 anos de nascimento do Dom, o historiador Severino Vicente disse que: “Na nossa Igreja Católica Romana, os papas Leão XIII, Pio XI, em alguns documentos mencionaram que os católicos devem reconhecer que cometeram erros que levaram à separação de alguns irmãos, referindo-se tanto aos Ortodoxos quanto aos protestantes. Como sabemos pouco desses aspectos do nosso magistério, nos surpreendemos desnecessariamente com os movimentos pela unidade do atual papa Francisco, que vem aprofundando alguns passos que foram dados durante o Concílio Vaticano II”.

E, ainda de acordo com o historiador “A busca e construção da unidade ecumênica no âmbito da própria Igreja extrapolam o pensamento e os planos de Dom Helder para além do imediato e local, está sempre voltado para o mundo, como disse o Cardeal Montini: ‘Admiro a altura e beleza dos seus planos. O senhor só sabe pensar nas dimensões do mundo ou melhor da Igreja’”.

Um outro aspecto que levou o CONIC a escolher a Igreja das Fronteiras para a celebração Católica foi o grupo Encontro da Partilha, que se reúne no Espaço Dom Lamartine uma vez por mês e celebra, também uma vez por mês, a Missa da Partilha. O Grupo, que teve sua primeira reunião em outubro de 2013, tem um caráter ecumênico e suas reuniões estão abertas a pessoas de qualquer denominação religiosa.
A Semana de Orações será encerrada no domingo 29 de maio, com uma celebração na Igreja Anglicana do Bom Samaritano, às 19h.

Para finalizar, deixamos as palavras do monge Marcelo Barros: “A ascensão de Jesus nos convida a não nos deter em pequenos problemas ou coisas que nos fariam olhar negativamente. A ascensão nos chama a olhar para cima e para frente. Jesus nos diz de novo: “Filhinhos, filhinhas, no mundo vocês sempre terão aflições, mas tenham coragem. Eu venci o mundo”. 

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