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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

UM OLHAR SOBRE A CIDADE: DISCORDÂNCIAS


Segunda-feira, 28.4.1975

Meus queridos amigos

Que cada vez mais entendamos e vivamos o belo slogan: “Se discordas de mim tu me enriqueces...”

Importante, importantíssimo é que a nossa discordância, nem por sombra, lembre sofisma ou desejo de vencer, ou vontade de teimar...

Seja pura e simplesmente o desejo de ajudar a ver outros ângulos, como quem ajuda a descobrir o outro lado da lua...

Vamos retomar cada uma dessas colocações importantes para a nossa vida. Será verdade que quem discorda de nós nos enriquece?

Claro que sim. Se só temos em volta de nós quem balance a cabeça a tudo o que nós dizemos, se só temos em volta de nós quem sempre diz amém, e parece um papel carbono ou uma xerox, perdemos ocasiões esplendidas de sermos completados, enriquecidos...

Discordar de nós é enriquecer-nos, porque quem discorda lembra o que nos escapou, o que nós não vimos. Mas é verdade que há maneiras muito diferentes de discordar. Há quem sofisme. O sofista sabe que não tem razão, mas usa a inteligência para fazer aceitar seus pontos de vista. Se a pessoa não for muito esperta engole os sofismas, as aparências de razão.

É duro quando alguém discorda de nós dando a impressão de que faz questão de vencer. Em discussão elevada e adulta, nenhuma das duas partes deve preocupar-se em vencer. A verdade é que deve sair vitoriosa, alargada, aprofundada, esclarecida.

Repararam na alusão ao outro lado da lua? Durante milênios o homem contemplou a lua aqui da Terra. Um dia, quando surgiram os voos das naves espaciais, foi possível fotografar o outro lado da lua. Claro que a lua não mudou. Mas ficou mais conhecida. Foi possível completar a visão antiga, que apanhava apenas um lado da lua, com a visão nova, que sem negar ou contradizer a visão antiga, ajuntou dados novos, ângulos novos...

Por que descobrir sempre, em quem discorda de nós, um  adversário, um inimigo que só deseja prejudicar, só deseja criar confusão?

Por que, em lugar dessa visão negativa, não descobrir, de verdade, em quem discorda de nós, mesmo sem fineza ou até com violência, dados novos, ângulos novos que vem alargar e aprofundar o que tínhamos conseguido ver?

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