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terça-feira, 11 de outubro de 2016

UM OLHAR SOBRE A CIDADE - URBANIZAÇÃO DESUMANA


·        Sexta-feira, 30.6.1978

Meus queridos amigos

O povo diz... O povo pode... O povo quer... É tão fácil falar em nome do povo! Mas, de tantos que falam em nome do povo quantos se deram ao trabalho de escutar, de fato, o povo? Não falta quem ache que o povo não tem nada que ser ouvido porque não estudou, não está preparado, não sabe pensar, não sabe o que quer.

Engano grande! Enquanto os planos e projetos forem estudados em gabinetes, por técnicos, sem ouvir o povo, os projetos e planos continuarão desumanos e o valado entre ricos e pobres só fará aumentar.

Quem vive no meio do povo tem a surpresa agradável de ter a prova de que o povo não tem cabeça vazia. Dentro da cabeça, o povo tem massa cinzenta e não miolo de pão, como muita gente imagina.

Para tomar um exemplo concreto: enquanto a urbanização não for resolvida só pelos técnicos, a urbanização será sempre mais desumana.

Os técnicos vão dizer quanto estão valendo os terrenos ocupados pelos mocambos dos pobres. A ideia é sempre a mesma. Tirar os mocambos. Vender o terreno muito bem vendido e, depois, com parte do dinheiro da venda do terreno, pode-se pensar em levar os pobres para algum alagado, ou em terreno sem lama, porém sempre mais distante.

Onde vai dar o egoísmo de ir varrendo os pobres sempre para mais longe? Por que o progresso dos ricos vai sempre ser feito a custa do sofrimento dos pobres? Sonho com o dia em que, onde houver pobres, eles se juntem, se unam, não para fazer mal a ninguém, não para pisar nos direitos de ninguém. Mas para não deixar que os direitos dos pobres sejam pisados.

Há 30 anos, o Brasil assinou a Declaração dos Direitos Humanos. Comprometeu-se a respeitar o direito de toda família de ter seu canto onde morar. Comprometeu-se a respeitar o direito que tem toda pessoa sadia de ter um trabalho, e trabalho bem pago, que de para viver de maneira decente e humana.

Só acredito que os pequenos tenham seus direitos respeitados quando os pequenos se unirem. E aqui eu vejo um papel enorme para a Igreja de Cristo. Nós seremos julgados conforme o tratamento que dermos ao pobre, porque Cristo diz e dirá: “O que fizestes de bem ou de mal ao pobre foi a mim que fizestes!”


Digam o que disserem dos bispos, dos padres, das religiosas, dos animadores leigos, faremos um trabalho evangélico muito ao gosto de Cristo, se encorajarmos a união dos pequenos para que eles defendam os direitos deles sem pisarem no direito de ninguém, mas também sem serem pisado

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