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terça-feira, 15 de novembro de 2016

UM OLHAR SOBRE A CIDADE : AVES NOTURNAS


Quarta-feira, 19.11.1975

Meus queridos amigos

Ave noturna ensina-me a ver no escuro, voar nas trevas, sem jamais perder, nem de longe, um imenso amor a luz!

Não depende muito de nós que o tempo esteja claro ou haja noite escura. Daí a vantagem de ter olhos como os das aves noturnas, capazes de enxergar em plena escuridão. Elas voam no escuro e parecem contar com radar: não esbarram em nada. Em grande velocidade desviam-se dos obstáculos, descobrem saídas, cumprem o que precisam cumprir.

Ver no escuro... Voar nas trevas! Os homens, usando a inteligência, descobriram aparelhos que permitem fazer o que o instinto sopra as aves noturnas. Os aviões modernos conseguem voo cego. A olho nu não se vê um palmo diante dos olhos. Os modernos aviões sobem e descem, voam a qualquer velocidade, baseados apenas em cálculos, na aparelhagem...
Importante é ser capaz de voar nas trevas, ser capaz de movimentar-se na escuridão, mas sempre a serviço do bem e não a serviço da destruição e da morte. O homem que fica de tocaia porque recebeu dinheiro para matar o adversário do poderoso é ave de rapina. Bom é saber mover-se no mundo das sombras e guardar o amor a luz. Ave noturna pela necessidade de acudir a quem está nas trevas, ótimo!

Ave noturna no sentido de trocar o dia pela noite, a claridade pela sombra, não.

O mundo todo, não apenas o nosso País, nem apenas o mundo pobre, anda muito cheio de sombras, de fantasmas, de ameaças de morte, de assombrações... Para mover-se com segurança nesta hora turva, nada como lembrar-nos de que Cristo, nosso Irmão, venceu as trevas, venceu a morte.

A ressurreição de Cristo marcou para sempre nossas vidas. Na medida em que nos impregnamos do espírito de Cristo, devemos ser pascais, isto é, marcados pela Páscoa, pela ressurreição de Cristo.


Por mais longo que seja o túnel que esteja sendo atravessado, por mais espessa que seja a noite que esteja sendo vivida, sem sobra de lua ou de estrelas, ao menos interiormente ilumina-nos o Sol da Justiça. Por mais que sejamos obrigados a aprender com as aves noturnas a ver no escuro e voar na escuridão, não percamos jamais, nem de longe, um imenso amor à luz, certos de que ela vencerá as trevas, como a vida rirá da morte!

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