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quinta-feira, 2 de março de 2017

CARTA PÓS-CONCILIAR: VIGÍLIA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS



Após-Concílio
Recife, 27/28.2.68
368ª Circular

VIGÍLIA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS

A querida Família Mecejanense

“Lembra-te, homem, de que és pó e ao pó hás de tornar”.A afirmação não deixou de ser verdadeira. A morte continua uma realidade, um desafio, um quebra-orgulho.

Mais grave e mais sério é que o pó voltará a ser homem. Já agora ninguém arranca a nossa imortalidade. E a nós nos cabe aproveitar o tempo,
preparando nele o sem-fim...

Mas como falar de penitência aos homens de hoje? Como falar de jejum (já nem penso em abstinência)?

A grande penitência e o jejum que conta se ligam a superação do egoísmo.

A batalha é sempre não parar em nós. Romper a carapaça. Alargar os limites. Amar, de fato, o próximo!

Eta expressão exata! Não adianta, de palavra e de pensamento, adotar o Mundo inteiro, se aqueles e aquelas que o Pai despeja em nosso caminho nos fazem torcer o nariz, dar pra trás, virar na esquina, fazer de conta que não viu...

Eis um programa concreto de Quaresma: identificar nosso próximo de hoje. 
Próximo que mora conosco. Próximo que é nosso vizinho no trabalho.
Próximo, vizinho de apartamento e de rua. Próximo que surge em nossa frente, e nos procura, e nos fala ou tenta falar-nos!

E não vale selecionar entre próximo simpático e próximo antipático.
Caiu na rede é próximo. Se é próximo é Cristo.

Duvido que ouça uma palavra de Cristo, que receba a mais leve mensagem d’Ele, tenha a mais leve vivencia de sua companhia incomparável quem se fecha ao próximo. Desligamento automático, super-eletrônico.

O inverso, também, é verdade: abriu para o próximo encontra o Irmão!...



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