MENU

sexta-feira, 10 de março de 2017

UM OLHAR SOBRE A CIDADE: CONSCIÊNCIA INGÊNUA E CONSCIÊNCIA CRÍTICA



Quinta-feira, 9.1.1975

Meus queridos amigos

Consciência é luz que Deus nos deu e que somos obrigados a seguir.

Mas existe a obrigação de cada um, de acordo com suas posses, de procurar ter a consciência vendo claro e vendo certo. Vejam, através de exemplos práticos, a diferença entre consciência ingênua e consciência crítica.

A consciência ingênua não procura as causas nem as consequências dos fatos e dos problemas sociais. A consciência crítica está numa constante procura das causas e das consequências dos problemas.

A consciência ingênua aceita passivamente uma educação tradicional, baseada no seguinte espírito: Educador sabe tudo e deve mandar. O aluno não sabe nada e deve obedecer. A consciência crítica exige a participação plena do aluno na sua própria educação e luta para romper com a educação imposta de cima para baixo.

A consciência ingênua acredita que uns nasceram para dominar e outros para serem dominados. A consciência crítica acredita na fundamental igualdade dos homens e na urgência de acabar com a relação oprimidos-opressores.

A consciência ingênua acha que o essencial é vencer na vida. Tudo o mais deve ser posto a serviço deste fim. A consciência crítica acha que o problema principal é dar aos homens a possibilidade de ser gente de verdade.

A consciência ingênua não percebe que os meios de comunicação social (rádio, TV, cinema, jornais, revistas...) manipulam e massificam o povo. Silenciam ou deformam a verdade: criam um mundo artificial que só corresponde aos interesses dos que estão em cima.

A consciência crítica está numa constante atitude crítica diante dos meios de comunicação social. Acha que eles só podem desenvolver uma função libertadora na medida em que criticam a realidade claramente e levam o povo a assumir uma atitude ativa diante dos problemas.

A consciência ingênua acha que nas questões políticas o melhor partido é o da neutralidade, pois comprometer-se é perigoso. A consciência crítica sabe que meter-se em política é ocupar-se das causas do povo. Não tem medo de comprometer-se, pois considera o risco da luta mais vantajoso do que a escravidão do pacifismo.

A consciência ingênua acredita no mito do desenvolvimento econômico descrito pelas estatísticas. A consciência crítica acredita que o desenvolvimento só é verdadeiro quando atinge o homem todo e todos os homens.

A consciência ingênua possui uma visão estreita e superficial das relações entre os dois sexos. O amor é buscado apenas como um episódio. A mulher é considerada como um brinquedo. Homem e mulher se unem para se fecharem numa família.

A consciência crítica possui uma visão ampla e objetiva das relações entre os dois sexos. O amor é buscado para dar início a uma história arriscada a dois. A relação entre homem e mulher não é entre sujeito (o homem sabe, o homem pensa, o homem decide), e objeto (a mulher é uma coisa). Homem e mulher se unem para se colocarem juntos a serviço da justiça, como condição para a paz.


Viram a importância de passar de uma consciência ingênua para uma consciência crítica? Continuem a descobrir como diante dos acontecimentos da vida funcionam os dois tipos de consciência. E qual é o seu? Sua consciência é ingênua ou crítica?

Nenhum comentário:

Postar um comentário