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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

QUANDO A SACRISTIA SE TRANSFORMA NO PALÁCIO EPISCOPAL


        Por Lucy Pina

Para entendermos como a Igreja de Nossa Senhora da Assunção ganhou fama internacional é preciso voltar à sua história mais recente. No final do Concílio Vaticano II, em novembro de 1965, um pequeno, porém significativo grupo de padres conciliares assinou um compromisso, o Pacto das Catacumbas, documento com treze itens que, em linhas gerais, direcionaria o modo de viver daqueles que o assinaram, na busca de uma Igreja pobre e servidora. Os bispos que o assinaram “renunciavam” ao modo principesco como a Igreja os tratava e passavam a assumir que “a exemplo de Jesus Cristo vieram para servir e não para serem servidos”.


Embora não haja registro da participação de Dom Helder na assinatura do tal documento é inegável sua contribuição para a construção desse documento histórico.  Também não há registro de que tenha havido nenhum signatário do Pacto que o tenha vivido tão radicalmente como o saudoso arcebispo de Olinda e Recife o viveu.

Só a partir desse contexto é possível entender as razões que levaram Dom Helder a mudar-se em 14 de março de 1968 do Palácio de São José de Manguinhos, na zona norte do Recife, para os fundos de uma Igreja na área central da Cidade.


        Conforme Dom Helder mesmo escreve: “desde a chegada, em abril de 1964, o Palácio de Manguinhos deixou-me a impressão de uma Casa imensa, latifúndio, de vez que se destinava apenas à residência do Arcebispo e de seu Auxiliar”. A impressão se agravou quando foi possível concretizar o velho plano do Auxiliar, D. José Lamartine, de residir nos fundos do Palácio com sua Mãezinha. Foi quando surgiu o slogan: “é casa demais para um bispinho só”. Várias tentativas de dar um maior e melhor uso ao Palácio foram feitas, mas nenhuma atendia plenamente.


Com a saída de Dom José Lamartine surgiu a possibilidade de mudança e o Dom partiu para a busca do local ideal, obtendo três opções: “atrás da Co-Catedral de São Pedro dos Clérigos; ao lado da Igreja das Fronteiras (ou na própria Igreja) e na Capelinha da Jaqueira. “O último recanto está quase eliminado: é o mais belo. Mas Jaqueira, hoje, é a Glória do Outeiro daqui (não no sentido de outeiro, mas de procura para ultra-granfinos)”, escreveu Dom Helder. A opção escolhida foi a Igrejinha das Fronteiras. Entre a escolha e os arranjos finais até a mudança, foi pouco mais de dois meses. Era necessário religar a água, checar a parte elétrica da Capela e fazer a mudança. O mobiliário foi cedido do Palácio original do bispo. Desde sua mudança até sua morte esta foi a última residência de Dom Helder.



Durante o período em que esteve à frente da Arquidiocese de Olinda e Recife, ele mesmo atendia ao telefone da casa, “Palácio Episcopal, bom dia!”.

Em 2007, o Instituto Brasileiro de Museus – IBRAM, reconheceu esta residência histórica como Casa Museu Dom Helder Camara, que passou a constar do seu catálogo durante a Semana Nacional de Museus e a Primavera de Museus, promovidas pelo IBRAM.

Durante a 11ª Primavera dos Museus convidamos os leitores a mergulhar nas leituras que serão publicadas nesse blog, como a carta circular que trata da mudança ou  a primeira escrita do novo “Palácio Episcopal”. 

A 11a Primavera dos Museus acontecerá de 18 a 24 de setembro. Confira mais informações em:



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