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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

UM OLHAR SOBRE A CIDADE: CADA PESSOA É ÚNICA




 Quarta-feira, 12.6.1974

 Meus queridos amigos

 Já repararam que não há duas pessoas iguais? Mesmo quem tem vários filhos, acaba descobrindo que cada um é único... E é preciso respeitar cada um, como é: o que não quer dizer que, com inteligência e habilidade, não se procure ajudar o irmão. Permitam que eu apresente, hoje, dois poemas de Cecília Meireles. O primeiro canta uma criatura de valor, mas meio fechada, parecendo orgulhosa, quando na verdade é diferente, não é compreendida e se sente só:

 LINHA RETA

 “Não tenteis interromper O pássaro que voa em linha reta De Leste a Oeste. Alto e só. Não lhe pergunteis Se avista cidades, mares, pessoas Ou se tudo é um liso deserto, Vasto e só. Ele não passa para contemplar essas coisas do mundo. Ele vem de Leste, ele vai para o Oeste. Alto e só. Ele vai com sua música dentro dos olhos fechados. Quando chegar ao fim, abrirá os olhos e cantará sua música Vasto e só.”
Conhecem criaturas assim? Não se apressem a julgá-las e, sobretudo, a julgá-las leviana e apressadamente. Merecem medida especial, tratamento à parte, as aves e as pessoas que voam alto e a sós...
O segundo poema de Cecília Meireles, que eu vou recordar, lembra outros tipos de pessoas: abertas, cheias de vida, de imaginação, de alegria:

CANÇÃO

 “Se não chover, nem ventar, Se lua e sol forem limpos E houver festa pelo mar ir-te-ei visitar. Se o chão se cobrir de flor E o endereço estiver claro E o mundo livre da dor Ir-te-ei ver, amor! Se o tempo não tiver fim, Se a terra e o céu se encontrarem À porta do teu jardim — espera por mim!”
 Há duas flores iguais? Nem na mesma roseira as rosas são iguais. Elas se parecem, mas cada uma é diferente das outras. É tão importante entender cada um e cada uma como é. De modo algum estou com isto negando o trabalho educativo ou ação de amizade, quando se trata de adultos.


Mas a primeira condição para ser válido qualquer trabalho de ajuda a uma pessoa amiga é não entrar na contramão. Os dois poemas de Cecília Meireles nos puseram diante de dois tipos totalmente diversos. Imagine-se, agora, que cada um é único. Nunca se espantou sabendo que cada pessoa tem impressão digital inconfundível? Deus não se repete: não usa xerox. Cada um é único. Cada uma é única. Tentar conhecer — sem bisbilhotice, com amizade, por interesse humano e cristão o jeitão de cada um é o começo do começo para um feliz entendimento.

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